Logicamente, uma idéia como essa só poderia partir de quem mais está sentindo a conseqüência no próprio bolso: a Associação Comercial de São Paulo. Com efeito, essa importante e poderosa entidade do nosso maior centro econômico instalou no centro da capital paulista um equipamento que chamou de impostômetro, que vai registrando a cada minuto (eles dizem que a cada segundo, mas me pareceu um pouco exagerado, ou estou minimizando a capacidade do computador?) o quanto o cidadão brasileiro está recolhendo em tributos ao caixa do Tesouro Nacional, quer dizer ao governo dos três níveis, federal, estadual e municipal. Creio que o valor apurado não chega a ter lugar em uma máquina simples. Vamos conferir: R$ 500.062.913.746,50. Sim, 14 números, ou simplificando a linguagem, mais de R$ 500 bilhões.

No ano passado, todos nós pagamos R$ 732,87 bilhões em taxas e contribuições, o que representa quase 38% do nosso PIB – Produto Interno Bruto, sendo que a classe trabalhadora destinou quase 39% do seu rendimento para o pagamento de impostos e a previsão acredita que até o final do ano esse impostômetro vai registrar R$ 820 bilhões. Será que há lugar para tanto zero nas máquinas calculadoras?

Será que esse mecanismo favorece a administração pública?

O diretor do Instituto de Economia da ACSP, Marcel Solimeo, ao analisar a questão, concluiu que a carga de impostos é demasiadamente alta em relação à renda dos trabalhadores e isso acaba contribuindo para que a nossa economia não avance. De acordo com especialistas, o que mais vem avolumando a carga tributária são as chamadas contribuições (por que não se denominam imposto?), a exemplo da CPMF (aquela que nasceu para ser provisória?!) e do Cofins. A receita desses dois impostos (ou contribuições), que foi de 12,8% do Produto Interno Bruto no ano 2000, atingiu 17% em 2005. Os impostos considerados já tradicionais (IR, IPI, IPTU e ICMS) representam 17,3% do PIB.

P.S. – O leitor sabia que estava pagando tanto imposto? Eu confesso que levei um susto…

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 18/janeiro/2007