Acabo de ler no nosso sempre atento jornal, edição de ontem, a informação, na verdade uma quase alarmante denúncia, do subprocurador-geral da República, Aurélio Virgílio Veiga, que, creio, imbuído de determinada revolta, comparou o enorme lucro do comércio ilegal de drodas com o das concessionárias privadas de rodovias em nosso País.
Esse alerta foi proclamado numa reunião do Grupo de Trabalho Agenda para a Infra-Estrutura do Desenvolvimento Econômico e Social, lembrando ao público que as concessionárias assumem as estradas, delas se assenhoreando e dando ordens como se delas fossem proprietárias.
Só não posso, infelizmente, afirmar que elas estão erradas, porque estão protegidas pelo bafo governamental. Que, se bem analisarmos, praticou um ato irregular. Por quê? Porque as estradas não são propriedades do governo; embora estejam na sua posse, elas pertencem à população, já que com seu dinheiro elas foram construídas. Ninguém desconhece, esse é um fato incontestável. Então, passa a ser relevante perguntar: onde está o raciocínio lógico de o povo, através de altos impostos compulsórios, financiar a implantação de rodovias e, em seguida, ser obrigado a pagar para usá-las, em benefício de particulares? Quem terá sido o imbecil que, ingenuamente ou não, fez nascer essa maldita idéia de criar um imposto para termos o direito àquilo que foi construído com o nosso dinheiro?
Só não estou de acordo com Aurélio Veiga quando ele diz que os preços do pedágio são altíssimos. Engano seu, caro Aurélio. O adjetivo não é o correto para definir a questão. O correto é lembrar e acentuar que o pedágio é simplesmente uma nova forma de assaltar o bolso do cidadão.
P. S. – E, pior. Vez por outra, com inteiro descaramento, alguns reclamam por aumento. E acabam por achar alguém ainda mais descarado que os atende!
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 13/janeiro/2007
Deixar um comentário