Hoje é mais uma data marcante na história do glorioso Tribunal de Contas do Estado do Paraná, que por mais de trinta anos foi minha segunda casa, já que não lembro de ter perdido única sessão, a não ser para atender a compromissos da função. Porquanto, a amizade de colegas de outros tribunais nacionais me levou a proferir conferências em todos os estados brasileiros, à exceção do Acre, único que não cheguei a conhecer.
E mais me levou a transmitir minhas idéias para argentinos em Buenos Aires e para alemães em Berlim, ali logicamente com um tradutor, o que fez com que uma palestra de hora e meia tivesse a duração de quase três horas.
Se bem que recordo, na fala que proferi na reunião dos Tribunais de Contas de la República Argentina, realizada em Bariloche, analisei “O mundo solidário da corrupção”. O tema causou espanto, mas justifiquei lembrando que a corrupção tem aliados ao redor do globo, porque o dinheiro público é aplicado pelo ser humano, com todas as suas fraquezas e, notadamente, porque, paradoxamente, a corrupção não é a arte dos pobres, é, ao contrário, privilégio dos ricos.
Apenas por curiosidade, recordo que citei os dez países mais corruptos da época: Nigéria, Paquistão, Quênia, Bangladesh, China, Camarões, Venezuela, Rússia, Índia e Indonésia. E também os dez menos corruptos: Nova Zelândia, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Canadá, Noruega, Cingapura, Suíça (discordei da Suíça e expliquei porque em meu livro Erário, o dinheiro de ninguém), Holanda e Austrália. Nosso Brasil ocupava, então, o 15.º lugar entre os mais corruptos. Não creio que esse ranking tenha sofrido alterações de grande profundidade.
Mas… não esqueçamos a solene posse hoje do ilustre conselheiro Nestor Baptista na presidência do Tribunal de Contas, entidade aliás nem sempre bem compreendida pela população, que ignora o quanto ela evita em desperdício e em combate ao desvio dos recursos públicos.
Digo que o TC está em boas mãos porque conheço Nestor Baptista, seu passado, sua história, seu caráter e sua luta, não de hoje, em defesa do erário, essa quantidade de dinheiro que sai do bolso popular através dos impostos e vai ser aplicado por centenas de mãos, nem todas inteiramente confiáveis. E, por isso, merece controle.
Controle que será bem exercido pelo presidente Nestor Baptista, com o auxílio do vice-presidente Henrique Neigeboren e do corregedor-geral Fernando Augusto Mello Guimarães. E se digo que será bem exercido é porque conheço as pessoas das quais estou falando. E, conseguintemente, que eles cuidarão com excelência daquela que foi minha segunda casa por mais de trinta anos.
P.S. – Um afetuoso abraço e sucesso Nestor, Henrique e Fernando Augusto. Que os céus os protejam!
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 11/janeiro/2007
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