“Ab initio” falemos sobre gringo. Todos sabemos o significado de gringo, identificando aquele que vem de fora, o estrangeiro, forasteiro, por vezes bem recebido, mas nem sempre. E esse “nem sempre” calha perfeitamente no vocábulo. Que, segundo aprendi nasceu do seguinte fato: há tempos atrás, os americanos invadiram alguns países, às vezes retornavam, outras tomavam conta mas, naturalmente nunca eram bem recebidos. E conta-se que chegando a uma nação (não cito o nome porque minha memória pode falhar e não quero cometer erro ou injustiça), os soldados sempre vestidos com farda na cor verde, tão logo se aproximaram de uma terra de língua espanhola, um dos nativos, certamente o mais destemido, indignado levantou o braço e gritou: “Green go!” Dando uma ordem de revolta: Soldado verde, fora daqui! Green go… gringo.

Também para nós gringo identifica o estrangeiro, talvez qualificado sem boa intenção.

Mas o gringo a que me refiro é um respeitável mestre argentino (e não se olvide que os “gringos” argentinos são tão amigos nossos quanto fortes rivais – e nem falemos em futebol, que o deles continua melhor que o nosso, aliás entre os melhores do mundo) mas… o mestre argentino que tanto admiramos se chama Astor Piazzolla. E foi a sua arte que conquistou nossos e tantos outros corações, com um simples mas virtuoso bandoneón.

Curiosidades que a gente vai aprendendo (quanto mais lê) nos ensina que o “bandoneón” nasceu na… Igreja. Sim, foi inventado na Alemanha, no ano de 1854, com a finalidade de tocar música religiosa, eclesiástica.

Faltava dinheiro para a compra de um órgão e algum gênio cujo nome a história parece não ter gravado, criou esse instrumento que não é gaita, nem sanfona, nem harmônica, chama-se bandoneón. E foi com os marinheiros alemães que ele chegou à Argentina, mais precisamente aos bordéis de Buenos Aires, tocado por acordeonistas italianos.

P.S. – Piazzolla era filho de um barbeiro que tocava violino e amava o tango. E se tornou esse “gringo” gênio que adoramos ouvir.

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 3/abril/2007