Na abertura da Semana Mundial da Água, evento de relevância internacional realizado em Estocolmo, na Suécia, o diretor-geral do Instituto Internacional da Água (sigla em inglês IWMI) disse que o drama da água doce, que assolaria o mundo atingindo mais diretamente um terço de sua população, previsto para ocorrer em 2025, já começou a ser sentido.
Algumas coisas que nunca soubemos. Somente a agropecuária utiliza nada menos do que 70% da água doce consumida no planeta. O biólogo José Maria Ferraz, da Embrapa Meio Ambiente, informa que para a produção de cada quilo de grãos são necessários de 1,5 mil a 3 mil litros de água doce. E na pecuária, para a produção de cada quilo de carne bovina são usados de 15 mil a 20 mil litros. E ele condena o permanente e inconsciente desperdício e mau gerenciamento da água, como se estivéssemos tratando de um produto infinito.
Outro complicador: a desordenada expansão da exploração agrícola, que avança inclusive sobre as nascentes dos rios, a exemplo do adorado São Francisco que banha toda uma região e que há 30 anos vem perdendo vazão.
A Semana Mundial da Água conclui com algumas recomendações. A construção de cisternas, a substituição dos sistemas de irrigação atualmente em uso por técnicas mais racionais e que se desenvolvam culturas mais resistentes à seca.
Presentemente, cerca de um quinto mundial da área cultivada, responsável por quase metade da produção de alimentos, exige irrigação. E onde o custo da água doce é relativamente baixo, como é o caso do nosso Brasil, o produtor tende a desperdiçar, alertou Emílio Sakai, responsável pela área de irrigação e drenagem do Instituto Agronômico de Campinas.
Certamente porque todos continuam confiando que Deus é brasileiro. Todavia ele salienta que na China, onde está o maior mercado consumidor de alimentos do planeta, a disponibilidade de água doce superficial é de 2,89 quatrilhões de litros por ano. No Brasil, 8,23 trilhões.
Precisamos tomar muito cuidado. Sem água não há vida…
P.S. – As inscrições para o VIII Salão Graciosa de Artes Plásticas estarão abertas de 5 de março a 13 de abril e a exposição será de 28 de maio a 1.º de junho.
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 6/março/2007
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