Comecei a ler a notícia com a mesma irritação que sempre me domina quando me deparo com essa questão: pedágio. Essa notícia torna pública a decisão do governo federal em manter o leilão de concessão de sete trechos de rodovias nacionais (três delas em nosso Paraná) e que havia sido, em boa hora, suspenso na semana passada por ordem de quem? Do próprio Palácio do Planalto. Essa informação veio à baila quase dez dias após a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciar que o assunto estava sobrestado para que se procedesse a uma melhor avaliação dos critérios estabelecidos.
Mas… o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, adiantou que a intenção presidencial é… fazer a concessão desses trechos. Para nós, o povo, simplesmente uma péssima intenção.
Todavia, ainda de acordo com o ministro, decidiu-se criar um grupo de trabalho para examinar e repassar todos os pontos do processo de concessão dessas rodovias.
Trata-se de uma pequena luz no fim do túnel. Talvez ainda suficiente para salvar o direito do povo. Compreendeu, presidente?
Pode parecer que eu tenha assumido uma posição radical. Mas vamos pensar conscientemente e com a máxima imparcialidade e perguntar aos que estão do outro lado: Qual é a base legal ou moral para a cobrança do pedágio?
Vamos ao âmago da questão. Nós pagamos impostos e com o dinheiro desses tributos o governo manda construir estradas para que nos sirvam. E, na hora de usar, somos obrigados a pagar? Tenham paciência!
“Mutatis mutandis” é a mesma coisa que uma pessoa construir uma casa e depois ser obrigada a pagar aluguel para poder habitá-la. Alguém estaria de acordo com essa doidice?
Entretanto, como ainda há um grupo de trabalho tratando desse “imbróglio”, ainda há a esperança de que um espírito melhor iluminado consiga ver a luz no fim do túnel, ou que nosso presidente recorra à sua lucidez e ponha ponto final à questão.
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 28/janeiro/2007
Deixar um comentário