Quando, há algum tempo, alguém alhures declarou que o Brasil não era um País sério, eu e todos os brasileiros ficamos indignados. E não sem razão. Essa frase não deve ser dirigida contra nenhuma nação, ainda que verdadeira.
No caso do Brasil… vamos examinar. Primeiro devemos considerar que o Brasil-nação é algo diferente da sua população enorme, complexa, miscigenada, na verdade, e lastimavelmente, dividido heterogeneamente.
Por vezes lembro de quando atuava no Tribunal de Contas do Estado, primeiro com o título de ministro, que o presidente Geisel achou que era demasiada honraria e “reduziu” para conselheiro, como se o título fosse mais importante do que a personalidade, e por especial deferência de colegas era convidado a fazer conferências em outros tribunais. E conheci praticamente todos. Se não me trai a memória só não estive no Acre. Ah!, e em Tocantins, que não era estado.
Esse preâmbulo é para recordar que em cada capital em que era recepcionado, quase festivamente, um ou outro que não me conhecia, perguntava de onde eu era? Sou de Curitiba, respondia com naturalidade. E me surpreendia com a reação: “Ah, o senhor é do sul maravilha!”
Infelizmente essa é a imagem que nossos conterrâneos, talvez de São Paulo para cima, têm de nós habitantes da região Sul. E atualmente nem tanto, mas ao tempo em que nós enfrentávamos os invernos mais violentos eu lembrava com inveja do clima do Norte. Parece que os céus nos obsequiaram e nossos invernos se tornaram mais suaves. Não sei se o clima lá pelo alto se tornou mais fresco.
Agora, nossa gente. Nossa gente é parte da massa humana que habita o planeta. Nem melhor, nem pior. Certamente com seus próprios hábitos, suas preferências, seus defeitos e suas virtudes. Temos celebridades na música, na literatura, nos esportes e em múltiplas artes; em contraposição não constituímos uma população de cultura superior e, pior, ainda somos vítimas, inconcebivelmente, do analfabetismo. Aliás, parece que ainda estamos na época em que o ideal dos governantes era construir estradas. Ninguém nega essa necessidade, mas as prioridades começam com a educação. Em qualquer país… que pretenda ser sério!
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 11/abril/2007
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