A nova geração, fascinada primeiro com as ondas do rádio e posteriormente com a imagem da televisão, deve não desconhecer que é a imprensa que registra e perpetua a história. Só a indolência pode justificar essa preferência. Desde os tempos de Gutenberg. Lembram-se dele?
Esquecê-lo seria uma injustiça imperdoável, pois sem ele, neste momento, nós não estaríamos nos comunicando.
Johannes Gutenberg, alemão nascido em Mogúncia (hoje Mainz) é a quem devemos a invenção da imprensa, no início chamada de “tipos móveis”, na última década do século XIV.
Pois é graças à perenidade da imprensa que me é possível reproduzir hoje uma entrevista concedida à revista Opinião Universitária, datada de setembro de 1952 com o desembargador Francisco Cunha Pereira e assinada pelo jornalista Eduardo E. V. da Veiga, ao tempo em que ocupava a presidência do Tribunal Regional Eleitoral e a direção da Faculdade de Direito de Curitiba.
“Data venia” vamos nos limitar a um resumo da relevante entrevista do admirado e inesquecível desembargador Cunha Pereira.
Sobre a Faculdade de Direito de Curitiba: “A idéia da fundação da Faculdade de Direito de Curitiba partiu de um grupo de eminentes técnicos em instrução e educação dirigentes da benemérita Associação de Ensino Novo Ateneu, entre os quais se encontrava o saudoso e ilustre professor dr. Carlos de Paula Soares, paladino de preclaras iniciativas sobre o ensino em nossa terra. À visão desses abnegados educadores se apresentou a necessidade de criação da nova escola em face do vertiginoso progresso do Estado e do crescimento dos pretendentes do nobre título de bacharel em direito. Assim, em Assembléia Geral de 5 de abril de 1950, os acionistas do Novo Ateneu, por unanimidade, aprovaram a criação de uma faculdade de direito que foi instalada já no dia 21. A faculdade tem como entidade mantedora, na forma da lei, a Associação de Ensino Novo Ateneu e dispõe de órgãos administrativos autônomos, a diretoria e o conselho técnico-administrativo.
Estando a faculdade subordinada à fiscalização do Ministério da Educação foi designado o dr. Rômulo Gutierrez para exercer as funções de inspetor federal. Com o parecer nº 325 do Conselho Nacional de Educação, aprovado em 29/10/1951 e homologado pelo Ministério da Educação no mês seguinte, a Faculdade de Direito de Curitiba foi autorizada a ensinar e diplomar bacharéis em direito. Começou sem nenhum catedrático, só professores interinos e contratados. No primeiro vestibular inscreveram-se 198 candidatos. Destes, 121 aprovados, 41 reprovados e 36 não compareceram aos exames.
Do resultado desse esforço e dos ideais do insigne desembargador Francisco Cunha Pereira, todo o Paraná é hoje testemunha!
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 14/março/2007
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