Aos 89 anos, assistido pela esposa Alexandra e da filha Mary, morreu, vítima de complicações de uma pneumonia, o escritor Sidney Sheldon, em sua residência em Los Angeles.

Sheldon foi mais um entre os incontáveis exemplos de escritores que fazem enorme sucesso com o público do seu país, e mesmo mundial e, curiosa ou paradoxalmente, em quem a crítica não descobre nenhum mérito.

E o êxito de Sheldon está comprovado em números, sendo portanto incontestável. De acordo com dados fornecidos pela sua editora, a Record, conseguintemente de absoluta confiança, a vendagem dos seus livros no Brasil, um país reconhecidamente de pouca leitura, Sheldon conseguiu os seguintes resultados: O outro lado de mim, 29.849 exemplares vendidos; O outro lado da meia-noite, 200.844; A outra face, 272.690; Um estranho no espelho, 254.444; A herdeira, 152.774; A Ira dos anjos, 159.242; O reverso da medalha, 130.301; Se houver amanhã, 269.855; Um capricho dos deuses, 182.893; As areias do tempo, 201.818; Lembranças da meia-noite, 152.647; Juízo Final, 129.400; Corrida pela herança, 122.657; A Perseguição, 126.298; Nada dura para sempre, 172.645; Fantasma da meia-noite, 80.522; O estrangulador, 92.791; O Ditador, 73.576; Os doze mandamentos, 52.966; Manhã, tarde, noite, 176.866; O plano perfeito, 145.430; Conte-me seus sonhos, 156.533; O céu está caindo, 151.489 e Quem tem medo do escuro, 148.318 exemplares.

É sabido que nosso País não é o melhor mercado para a cultura. Uma grande parte da população (preguiçosamente!) prefere a televisão e o rádio, sem sequer imaginar o quanto está perdendo. Outros foram à escola, mas lamentavelmente não chegaram a adquirir o prazer da leitura e, o pior, possuímos um enorme e lastimável contingente de iletrados. Eu ia usar o termo mais apropriado, “analfabetos”, mas minha consciência considera esta palavra sinônimo de um palavrão e com definição mais ferina.

P.S. – Mas como está previsto no título de um dos seus livros mais procurados, a profecia estava “escrita nas estrelas” e Sheldon penetrou no coração da gente brasileira. Até porque o que está escrito nas estrelas ninguém consegue apagar…

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 22/fevereiro/2007