A impressão que se tem, agora, é que a globalização já começou a confundir as marcas e a procedência dos produtos. Antigamente, quando se lia “made in França”, “made in Italy” ou “made in Germany”, a gente sabia que estava comprando artigos fabricados na França, na Itália ou na Alemanha. Parece que na atualidade esta indicação já não merece confiança, uma vez que a maioria do que se encontra nas lojas mais renomadas do globo ocidental é… “made in China.”
Inicialmente surgiram no mercado os bens de consumo duráveis, a exemplo de automóveis e eletrodomésticos, mas não demorou muito e passaram a ocupar lugar nas vitrines roupas, relógios e mesmo jóias de alto valor… “made in China.”
Por quê? Porque grifes famosas como Hugo Boss, Lancel, Celine e Longchamp Paris, da França, e Valentino, Armani e Gucci, da Itália estão transferindo boa parte da linha de produção para países do terceiro mundo onde encontram mão-de-obra mais barata, legislação trabalhista menos rigorosa, impostos menores e fácil acesso à matéria-prima.
Tudo bem? Nem tanto. Alguns consumidores já estão denunciando que comprar um traje Armani produzido no leste europeu é o mesmo que comprar um tapete persa fabricado em Taiwan ou um vinho francês procedente dos tonéis do Marrocos. E isso indica um horizonte com muita confusão e, dizem, prejuízos para Itália, França e Suíça, entre outros, mas bons lucros para Hungria, Romênia, Marrocos, Taiwan e China.
Analistas afirmam que esse é um fenômeno da globalização que chegou ao mercado e não se sabe a que ponto poderá chegar.
Mas, desde outubro de 2005 quem compra artigos de luxo na Itália tem garantia de procedência e uma lei obriga todos os produtos feitos fora da União Européia a identificar sua verdadeira procedência.
P.S. – A impressão que se oferece é que a lei do livre mercado começa a encontrar suas primeiras esquinas. Que não acabe num labirinto.
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 27/fevereiro/2007
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