Caso o leitor visite algum dia Foz do Iguaçu e tenha algum problema procure a Itaipu Binacional. Essa empresa “quebra todos os galhos”. Inclusive alguns indevidamente.

Ocasionalmente, tomei conhecimento de um desses casos indevidos.

O caso é o seguinte: Gleise Hoffmann, mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, do Partido dos Trabalhadores do Paraná, alcançou o auge de sua carreira, segundo denuncia O Estado de São Paulo, em janeiro de 2003, quando foi nomeada diretora financeira executiva da Itaipu Binacional.

Gleisi conta atualmente com 38 anos e passou a receber, a exemplo dos demais diretores, um salário líquido de 16 mil reais por mês. Com uma diferença o ano dela tem mais meses do que o nosso. Ela recebe 16 salários por ano.

Mais além dos 16 salários anuais, todo trabalhador com carteira assinada da Itaipu recebe anualmente a participação nos lucros e resultados, um abono, geralmente pago no mês de novembro, e as férias em dobro. Na iniciativa privada, como se sabe elas são pagas – e nem sempre a todos! – com 30% de acréscimo.

A famosa binacional possui o exagerado número de seis diretores representativos de cada país, ou seja, meia dúzia de brasileiros e mais dúzia de paraguaios. E se um brasileiro recebe um centavo a mais, no dia seguinte o Paraguai reclama o mesmo centavo para o seu representante. Nesse aspecto, já me foram contadas coisas hilariantes a respeito.

O orçamento da Itaipu é controlado pela esposa do ministro Paulo Bernardo, do Brasil, e por um diretor indicado pelo Paraguai e se trata de um orçamento nada desprezível: são 24 bilhões de dólares anuais. Já calcularam? São dois milhões de dólares ao mês.

Gleisi não tinha vínculos com a Itaipu. Ela foi secretária de Gestão Pública, em Londrina, e com a vitória de Lula à Presidência foi designada para secretariar a equipe de transição, de onde foi nomeada para a Itaipu.

P.S. – Na direção da Itaipu, Gleisi liberou recursos para uma campanha publicitária da Prefeitura de Londrina intitulada “Maluquinho de Londrina”, que custou 50 mil reais. Não fiquei sabendo da natureza dessa campanha…

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 20/janeiro/2007