A dificuldade é apenas inicial: alfabetizar-se. Depois disso, qualquer que seja a profissão escolhida pelo ser humano, portanto homem ou mulher, não pode se distanciar dos livros. Ler é a mais deliciosa obrigação que a vida nos determina. E aqui vale afirmar, ler tudo, livro, jornal, revista, almanaque ou até uma bula. Nossa… há tempos não escrevia essa palavra, cada vez menos utilizada em nossa comunicação. Bulla (latim) era o nome dado a um antigo selo de ouro, prata ou chumbo pendente nos documentos assinados pelos papas, reis, príncipes e antigos soberanos (possivelmente depois que o “fio do bigode” ganhou credibilidade), que resultava da compressão do metal entre dois cunhos. Cunho era uma placa de ferro utilizada para marcar moedas, medalhas e quejandos.

Montaigne, notável escritor francês, falecido em 1592, em sua obra Ensaios: diversos acontecimentos escreveu: “Un suffisant lecteur descouvre souvantès ecrits d’autruy des perfections autres que celles que l’auther y a mises et apperceues et y preste des sens et des visafes plus riches”. Ou seja: um leitor inteligente descobre freqüentemente nos escritos alheios perfeições outras que as que neles foram postas e percebidas pelo autor e lhes empresta sentidos e aspectos mais ricos”.

Richard Stele, escritor que viveu apenas 56 anos (lastimável como os gênios do passado tiveram vida tão curta!) escreveu que “A leitura é para a mente o que o exercício é para o corpo”. Nada mais correto; tanto que eu jamais fiz exercício, nem mesmo a caminhada atualmente tão em voga.

E Charles Lamb, falecido em 1834, declarou o seguinte: “Gosto de perder-me nas mentes de outras pessoas. Quando não estou passeando, leio; não sei ficar sentado e pensar. Os livros pensam por mim”.

E, para não alongar muito, o Marques de Maricá, falecido em 1848, em suas “máximas” sentenciou: “A paixão da leitura é mais inocente, aprazível e a menos dispendiosa”. E Marcel Proust, sábio francês falecido em 1922 nos deixou essa lição: “A leitura é uma amizade!”

P.S. – Do sempre lembrado Santo Agostinho: “Tolle, lege” (Pega e lê!)

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 23/março/2007