O Banco Mundial e a PricewaterhouseCoopers procederam amplo estudo sobre a facilidade (ou dificuldade!) de pagamento de impostos e taxas pelos contribuintes. Nesse trabalho, uma pesquisa, que acredito tenha sido inédita, foram comparadas alíquotas, número de taxas e tempo gasto para apuração, pagamento e controle de impostos em nada menos do que 175 países.

Resultado: um retrato demasiadamente trágico para o nosso Brasil. As empresas brasileiras pagam 23 taxas que somam uma alíquota de 71,7% e levam nada menos do que 2.600 horas para ser administradas.

Vai daí que o Brasil ficou colocado no último lugar do ranking de tempo gasto para pagamento de taxas. Detalhe relevante, a média mundial é de 332 horas, ou seja, menos de um oitavo do nosso.

Os países do Oriente Médio e do leste asiático são os que oferecem as melhores condições tributárias para as empresas. Segundo os analistas, na América Latina o ambiente é prejudicado pelo custo de administração, constatando-se que no Brasil as empresas se ocupam centenas de dias nessa tarefa. Por absurdo que pareça, concluíram que há 55 mudanças de normas tributárias por dia em nosso País. Será?

O mesmo estudo indica três saídas para o problema: simplificar a lei, adotar pagamento eletrônico e consolidar as taxas.

No ranking do Banco Mundial, o lugar onde se gasta menos tempo para recolher impostos é nas Maldivas: um minuto. Nos Emirados Árabes 12 horas, em Cingapura 30 horas, em Santa Lúcia 41, em Omã 52, em Dominica, 65, na Suíça 68, na Nova Zelândia 70, na Arábia Saudita 75, na Irlanda 76, no Azerbaijão 1.000, no Vietnã 1.050, na Bolívia 1.080, em Taiwan e na China 1.104, na Armênia 1.120, na Bielo – Rússia 1.188, em Camarões 1.300 e na Ucrânia 2.185. Contra as nossas 2.600.

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 8/fevereiro/2007