Uma questão complexa e na qual dificilmente se alcança unanimidade, começa a ser debatida a nível mundial e com data prevista para que o martelo seja batido. Qual é essa questão? A questão do tão controvertido cigarro, tabaco, fumo e sua conseqüente fumaça.
Nunca me detive em acompanhar a história do cigarro, creio que por jamais ter fumado. Na verdade, durante a juventude tive uma experiência, na minha natal Campo Largo, quando levado por amigos ao coreto da praça principal ao lado do Eduardo, Osires, Grimoaldo, talvez meu irmão Elias e certamente outros que a memória não recorda, embora tenham sido amigos leais e, nota-se, inesquecíveis. De surpresa recebo um cigarro para conhecer o sabor.
Certamente muitos lembram que o cigarro, evidentemente estimulado pela máquina publicitária, apareceu como se fora um charme a dar classe às pessoas.
As revistas ilustradas e, notadamente, o cinema, contribuíram de forma decisiva para fazer do cigarro um complemento da vida social. Passaram anos e muitos pulmões foram destruídos, até que houvesse uma iniciativa em defesa da saúde. Que principiou mui timidamente por uma razão óbvia: os cigarros foram em certa época grandes anunciantes da mídia e, mais, como ainda hoje, um dos setores que mais recolhe tributos ao governo. Não tinham adversários.
Aos poucos a história começou a mudar. Pronunciamentos médicos surgiram, advertindo para os problemas causados pela nicotina e o seu poder de criar o vício com resultados fatais, até chegar a influenciar governantes, a maioria deles fumantes, que se viram forçados a adotar providências, que ao início foram de apenas advertência mas que, passo a passo, vão chegando ao extremo.
Verdade: a União Européia, que concentra grande parte de fumantes do mundo e onde o tabaco encontra um de seus melhores mercados, acaba de tomar uma iniciativa jamais esperada. Anunciou que vai banir o fumo até 2009. Aliás, como de hábito, a França saiu na frente baixando uma lei restritiva vedando o uso do cigarro em locais públicos.
E a União Européia deseja que a regra seja aplicada aos 27 países dentro de dois anos.
Parece que não será tão fácil. A poderosa Alemanha, que preside a União Européia, é um dos maiores centros de produção de cigarro do mundo desenvolvido e tida pelos europeus como paraíso dos fumantes.
Por outro lado, a União Européia se diz apoiada por 80% dos cidadãos europeus (pesquisa oficial) para a proibição em locais de trabalho e recintos públicos fechados.
P.S. – Trata-se de uma briga gigante apenas em seu início, depois que uma pesquisa revelou: 79 mil pessoas morrem todo ano na Europa por trabalhar ou freqüentar locais fechados em companhia de fumantes. Detalhe: atualmente um terço dos 480 milhões de europeus fuma: 38% dos homens e 23% das mulheres. Outro detalhe: na Itália, nem o aumento do imposto (20 centavos de euro por maço) impediu o crescimento das vendas.
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 6/fevereiro/2007
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