Em sua última assembléia, a ONU pediu a paz e todos os países se comprometeram com a paz. Mas, entre falar em paz e querer a paz há uma grande diferença. Os Estados Unidos, que se pronunciaram em favor da paz na assembléia da ONU, têm o seu orçamento, encaminhado por George W. Bush, aprovado pelo Congresso. Mas, não é um orçamento dirigido para a paz. O orçamento prevê um total de US$ 379 milhões destinados não especificamente à guerra, mas à compra de navios, aviões e tanques. Os militares americanos, contudo, não estão satisfeitos. Acreditam que essa fatia do orçamento é muito pequena, já que os militares desejam comprar mais aviões, mais navios e mais tanques, segundo eles, para fazer frente ao terrorismo. Não obstante a oposição americana esteja denunciando que a proposta de Bush traz de volta o “déficit” fiscal, depois de quatro anos de “superávits”. E note-se. O orçamento dos EUA está fixado no valor de US$ 2,13 trilhões, ou seja, o maior do mundo. 38,4% a mais do que o do ano passado.
Israel também vem proclamando que quer a paz, o que é mais complicado, pois se trata de uma região conturbada por conflitos de longos anos. Mas, mesmo dizendo que deseja a paz, o governo de Israel vai construir uma réplica de uma cidade palestina exclusivamente para treinar os seus soldados que combatem no território autônomo palestino. Essa “cidade cenográfica” israelense servirá para fazer com que os soldados enviados para a Cisjordânia ou para a Faixa de Gaza não tenham dificuldades com a geografia ou com a arquitetura das cidades palestinas. O local do novo campo de treinamento insraelense, que deve custar quase US$ 9 milhões, é mantido em sigilo e suas obras devem ser iniciadas ainda neste ano.
A nova “cidade” será dividida em quatro zonas diferentes: uma urbanizada, uma rural, uma moderna e outra antiga.
Todos continuam falando em paz, mas ninguém deixa de se preparar para a guerra.
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 9/março/2007
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