Guido Viaro nasceu, cresceu e venceu como artista, mas no Paraná e, notadamente, em Curitiba, ele foi uma verdadeira escola. Numa época difícil, em que a arte encontrava pouco espaço e, acreditem, chegava por vezes a ser discriminada, Guido Viaro enfrentou problemas, gastou e perdeu dinheiro (para só muito tarde recuperar uma parte), mas jamais abandonou aquilo que sempre foi seu ideal: elevar a arte pictória!

Filho de agricultores italianos, nascido em Rovigo, deixou sua pátria na segunda década do século passado, fez uma parada em Paris para dialogar com alguns nomes relevantes da pintura e chegou ao Brasil, de fato, na cidade de São Paulo que era, se ainda não o é, o endereço preferido dos imigrantes italianos. Foi um começo complicado e, por certo, nada fácil.

Aplicar dinheiro em arte naqueles tempos era privilégio de poucos capitalistas. E Guido Viaro se lançou ao labor fazendo ilustrações para revistas e jornais italianos que eram editados na paulicéia, a exemplo de Il Moscone e Il Pasquino, e a decoração de residências, cafés e até murais (ou seja, iniciou como pintor e não como artista).

No ano de 1929, transferiu-se para Curitiba e aqui trouxe, pode-se dizer, a chamada pintura moderna. Tanto é verdade que grande parte dos nossos melhores pintores nasceram das suas lições, já que Guido tanto gostou de Curitiba que aqui residiu até falecer, no ano de 1971.

Sua tela, denominada apropriadamente Polaca, hoje felizmente em poder da própria família, é obra de uma fulgurante beleza, digna de figurar na galeria dos mais renomados museus. Viaro pintava tudo o que lhe parecia bonito: homens ou mulheres, “socialités” ou prostitutas, patrões ou operários, o medo ou uma linda paisagem, o homem sem rumo ou Cristo morto, com uma técnica pessoal, mas comparável a dos grandes mestres, mesmo os internacionais.

Só algo sucedeu erroneamente na vida de Guido Viaro. Se ele tivesse vivido na atualidade, teria seu nome iluminado e suas pinturas disputadas por altos valores.

P.S. – Guido Viaro: Um visionário da arte, nas salas Tarsila do Amaral e Guignard, até 11 de março, de terça a domingo, das 10 às 18h, adultos R$ 4, estudantes R$ 2, criança até 12 anos, maiores de 60 anos e grupos de escolas públicas agendados não pagam.

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 3/março/2007