Chega a ser difícil acreditar, tanto que meditei um pouco a pensar, será que é verdade? Parece, todavia, não haver dúvida. A miséria, ou pelo menos a pobreza, foi transformada em atração turística. E, podem crer, inclusive a nossa vida pobre. Certo que estou falando das grandes capitais, Rio de Janeiro, São Paulo e imagino que igualmente algumas no Norte e Nordeste.
Engana-se quem já pensou que vou falar dos italianos e outros turistas (ou não) que vinham ao Brasil, a passeio ou a serviço, e voltavam amasiados com uma bela jovem morena (louras eles têm demais!), algumas das quais até tiveram sorte e se deram bem, mas as demais devem ter “comido o pão que o diabo amassou”.
Preâmbulo feito, vamos ao fato. O fato é que na Cidade Maravilhosa, por exemplo, turistas já não se contentam em visitar o Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Jacarepaguá, Palácio do Catete, museus, galerias de arte, Feira de São Cristovão, Confeitaria Colombo, Restaurante Antiquarius, visitar Niterói, Petrópolis, para ver quanto ouro há na coroa do imperador, Terezópolis e outros locais tradicionais.
Agora, a nova atração são as favelas! Sim, algo que eles desconhecem e, via de conseqüência, novidade extrema para ser narrada na volta. No Rio, uma das mais visitadas é a Rocinha, talvez por ter acesso mais próximo e fácil, pois também já estive lá. Fazendo o que? Jornalista metido a besta, procurava entrevista com Leonel Brizola, então na crista da política nacional. E no palácio me mostraram uma agenda de campanha eleitoral, difícil de ser alterada. Em companhia e no carro do meu amigo, agora carioca, Vicente de Castro Neto, subimos (parece a estrada da Graciosa) para a Rocinha. E, surpresa, encontrei uma comunidade pacífica, vivendo tranqüilamente e sem qualquer desconforto. E mais: com uma vista das mais lindas do centro da cidade, que à noite aparentava um autêntico presépio. A propósito, ainda existe presépio?
Mas, voltando à pobreza, quem diria que o tempo a transformaria em “mercadoria” ou atração turística? A alma do saudoso Karl Marx deve estar muito penalizada…
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 17/abril/2007
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