Cabelos loiros e longos, lindo rosto de boneca e um nome famoso, Bárbara, 24 anos, é a nova arma da oposição na disputa política italiana. Chamada filha rebelde do primeiro ministro Berlusconi, surpreendeu a opinião pública ao se pronunciar sobre a ética política. À distância não é fácil compreender, mas para a sociedade italiana e, notadamente, para o seu espaço político, a repercussão foi enorme e, mesmo, inesperada.

A declaração de Bárbara Berlusconi foi no seguinte sentido: “A questão do conflito de interesses precisa de regulamentação e regras; para impor uma conduta correta devem ser implementadas e respeitadas.” Sua palavra foi ao ar em programa de debate sobre a ética nos sistemas econômicos, de elevada audiência.

O estranho é que essa declaração, bastante aplaudida, partiu da filha de um político acusado de abuso de poder e investigado pela prática de corrupção.

Jornalistas especializados apuraram que as alfinetadas de Bárbara vêm se tornando comum em seus recentes pronunciamentos, mas que já aos 21 anos ela anunciou que havia proibido seus filhos de assistir a programas de televisão da rede de seu próprio pai.

O jornal “Liberazione”, de esquerda, escreveu que a partir de então governo e oposição estão dentro da mesma família. E, interpelada pela imprensa, Bárbara foi enfática: “Sou filha de Berlusconi, mas isso não me impede de ter idéias próprias”, conforme publicou o respeitado “The Times”, de Londres, a quem ela, entrevistada sobre a questão, afirmou que a divulgação da sua postura política não havia causado qualquer mal-estar entre seus familiares. Anteriormente Bárbara já havia criticado a guerra no Iraque, após ela ter sido apoiada pelo marido.

O professor James Weston, da Universidade Americana de Roma, ao ser interpelado, disse que as declarações de Bárbara têm pouco efeito, já que o próprio fato da oposição estar dando apoio a ela está a demonstrar a atual falta de opositores no país.

P.S. – E nós, brasileiros, podemos ou não contar com uma política de oposição?…