Seu nome era Lúcio Anneo Sêneca e ele foi um dos intelectuais mais admirados por toda Roma ao início da era Cristã. Nascido em Córdoba (Espanha), o jovem foi levado a Roma, ali recebendo elevada educação, notadamente em gramática, retórica e filosofia estóica.

Para quem não lembra, retórica é eloqüência, bela oratória, e estóico é o cidadão austero, aquele que resiste à dor e à adversidade.

Escritor e filósofo, destacava-se pela ironia que usava até nas tragédias, as únicas consideradas do gênero literário na antiga Roma.

E, observem bem, acusado de participar de uma conjuração, já no ano 65 da Era Cristã, recebeu de Nero ordem para se suicidar… E cumpriu a ordem com o mesmo ânimo com que pregava a filosofia.

E, observem mais, abriu as veias do braço, mas o sangue saia lentamente. Então, cortou as veias das pernas. Como a morte não vinha, pediu ao seu médico uma dose de veneno. Ainda teimosamente vivo, tomou um banho quente para ampliar o sangramento. E, finalmente pediu para ser levado a um banho a vapor e ali morreu sufocado.

O gênero de Sêneca foi na maioria epistolar, o mais utilizado em Roma, servindo tanto para um convite para jantar, uma recomendação, uma declaração de amor ou ofícios do governo. E havia a epístola pública, a oficial, a aberta, a doutrinária, a científica, a chamada carta prêmio (ou de dedicatória) e ainda a carta poética.

De tal modo que a epistolografia tornou-se um gênero literário. E, por que não o é em nosso tempo, no qual só as relevantes são consideradas? A epístola, como gênero, cobre desde a antigüidade e revela uma série de acontecimentos desde familiares até de maior importância, principiando com Horácio, passando pelo renascimento (Garcilado de La Vega, Marot, Sá de Miranda e John Done entre muitos). Em estilo, o próprio Sêneca escreveu sobre a amizade, livros, aprendizagem e… sobre a morte. Na visão de Petrônio, sua ética é calcada na recusa dos valores vigentes e da vida em sociedade, denunciando tudo o que ela tem de falso.

P.S. – Sêneca nasceu no ano 4 antes de Cristo e morreu em 65 da Era Cristã.

Publicada no jornal “O Estado do Paraná”, 10/maio/2007