Conta a lenda que os árabes, se não inventaram o comércio, foram dos primeiros a aprender a lucrar com ele. Não foram eles que chegaram ao Brasil, sem conhecer o País, sem falar o idioma, sem saber o tipo de moeda que circulava, ou seja, caminhando no escuro, saíram mascateado no início a pé, depois a cavalo, mais tarde em carroça e, afinal motorizados, para fazer ver a todos nós que importante é o cliente e, portanto, para favorecê-lo e não perdê-lo, devemos não somente esperá-lo mas também ir a ele.

“Si non e vero e bene trovate.”

Ocorre que no meu caso, houve um casamento de sangue árabe com italiano.

Não tenho a menor idéia de qual deles deve ter prevalecido. Mas a realidade é que nunca consegui fazer bons negócios, daqueles de sair gritando, hoje ganhei uma grana alta.

Longe de mim estar me queixando. A vida tem me dado muito mais do que esperei e, por certo, mais do que podia merecer.

Nascido na provinciana Campo Largo dos anos 30, hoje uma cidade já evoluída, simpática e muito aconchegante (atualmente é mais cômodo morar em Campo Largo do que enfrentar o trânsito sempre concorrido para o bairro do Portão) diferente dos 33 quilômetros que enfrentei por longo tempo para cursar o ginásio na capital.

Bem. A minha queixa era de nunca ter feito bom negócio. Precisamente agora, quando acabo de vender o apartamento que por mais de vinte anos assegurou minhas férias na Rua Barão da Torre, 47 (Ipanema) na Cidade Maravilhosa, fico sabendo que o preço do aluguel de imóvel no Rio de Janeiro está entre os mais caros do mundo. Evidentemente não sem razão. Afinal, qual a cidade que se pode comparar ao Rio? Recordo que há algum tempo li que alguém classificara Nápoles e Istambul como sendo melhor ou igual ao Rio. “Nem vero, nem bene trovate”. Conheci as duas cidades e, de fato, gostei de ambas, notadamente de Capri e da Mesquita Azul, respectivamente. Mas querer equiparar ao Rio de Janeiro é tão injusto quanto exagerado. A propósito, no passado acusava-se o Rio de não ter bons restaurantes. Sou testemunha de que agora lá se come muito bem. Diziam também que as praias eram sujas. Meu irmão esteve por lá e ficou admirado com a limpeza da praia e a beleza da água cristalina. Talvez aí esteja a razão pela qual meu sangue árabe tenha se apaixonado pela Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil…

Publicada no jornal “O Estado do Paraná”, 26/maio/2007