O nome dele pode parecer estranho. Chama-se Nicolau Sevcenko. Engana-se porém se alguém imaginar que se trata de algum eslavo ou russo. Trata-se, isto sim, do professor da USP – Universidade de São Paulo que, semestre sim, semestre não, toma o avião com destino aos Estados Unidos, chega, toma um veículo e ruma em busca de um dos suntuosos prédios do chamado Harvard Yard, o ponto mais importante do principal campus da mais conceituada universidade do mundo. Para fazer o quê? Simplesmente para dar aula. Podes crer, um professor brasileiro voa nove horas para dar aulas sobre o Brasil (em português) na charmosa Universidade de Harvard.

Não. Os alunos não são brasileiros. Trata-se de jovens americanos interessados na história e na cultura do Brasil.

Harvard trabalha com um sistema de créditos, em que cada matéria cursada vale um número de pontos. Algumas disciplinas são obrigatórias, todavia a maior parte depende da opção do aluno.

Os jovens americanos iniciam aprendendo português e, com o domínio da língua, optam por disciplinas de história, política e literatura brasileira. Atualmente são 435 os jovens dos EUA cursando matérias referentes ao Brasil, e em cinco anos o número de alunos cresceu quase 200%. A professora Clemente Jouet-Pastré, responsável pelo departamento de língua portuguesa da universidade, conta: “Eu entro nas classes de espanhol, falo português bem devagar, falo sobre o Brasil e eles acabam interessados”.

Eu não sabia, mas a universidade de Harvard oferece, atualmente, nada menos de trinta cursos relacionados ao Brasil. (Aposto que ninguém lembrou ao presidente Lula para fazer uma visitinha!).

E no próximo ano serão criados dois novos cursos, pelo menos. O músico americano Jason Stanyek, especializado em música brasileira da Universidade de Nova York, já foi convidado para implantar duas disciplinas sobre o tema.

Kenneth Maxwell, brasilianista, autor de livros sobre nosso País declarou: “O Brasil está se tornando parte importante do processo de internacionalização da universidade, significando profunda alteração na política de Harvard, sempre autocentralizada e duas das direções mais fortes são a China e América Latina, notadamente o Brasil”.

Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 7/junho/2007