As esquinas da vida costumam nos reservar deliciosas surpresas. Há alguns dias, para saborear frutos do mar, estive no chamado Bar do Edmundo, hoje um amplo restaurante no Bacacheri e, não mais que de repente, um cidadão ocupando a mesa ao lado em companhia de uma jovem me chama pelo nome. Não o reconheci, de imediato, mas quando ele se disse João Carlos Neiva de Mello foi uma alegria só.
Velho e valioso amigo, residindo em São Paulo já há alguns anos, nos abraçamos, matamos saudades e passei a recordar que devia a ele a invejável decoração da residência que ocupei por longos anos na Rua Fontana, uma das primeiras construções modernas da Cidade Sorriso, projeto do genial arquiteto paranaense João Vilanova Artigas, o mesmo que projetou o nosso Hospital São Lucas, moderno ainda hoje, e o Estádio do Morumbi, um dos melhores do País. Lamento não ter, por ter sido discreto, indagado o nome de sua companhia, pois ela poderia me facilitar novos contatos com Neiva de Mello.
Agora, há três dias, convidado a uma festividade na Essei – Escola Superior de Estudos Empresariais e Informáticas -, tive o prazer (quase uma emoção) de me sentar ao lado de quem? Dr. Jackson do Nascimento, ilustre aposentado como procurador da República. Lembram-se dele? Alguns não, mas se os atleticanos não se recordam, estarão cometendo enorme ato de ingratidão. Jackson foi um dos melhores “senhores da bola” ao tempo em que eu transmitia futebol pelas ondas da saudosa Rádio Guairacá, a voz nativa da terra dos pinheirais. E tive a oportunidade de, neste momento, dizer isso a ele, salientando, do meu tempo eu guardo seu nome e do Fedato, no Coritiba. Creio que falhei um pouco, pois não esqueço aquele “moleque” que fazia o que queria com a bola, chamado Miltinho. Pois, nesse evento, uma homenagem de despedida ao meu especial amigo, professor Carlos Danilo Costa Cortes, revivi o passado, formando a ala-esquerda com Jackson.
Ele foi o cérebro de um dos melhores ataques do rubro-negro: Viana, Rui, Guará, Jackson e Cireno. Jackson jogava com a cabeça, Cireno, com a malandragem. Se a memória não me trai, houve um Atletiba que só durou, parece-me, uns sete minutos.
O Coritiba tinha um goleiro careca, que jogava com boné. Cireno, no primeiro ataque em que o goleiro apanhou a bola, foi sobre ele, arrancou o boné e correu, com o goleiro no seu encalço. Resultado: confusão, briga e prolongada interrupção até que o juiz cancelou o clássico.
P.S. – Jackson, entretanto, jamais se metia em confusão. Tinha futebol bastante para dispensar encrencas. Daí não haver surpresa em ter alcançado maior sucesso na vida profissional, vitorioso como poucos na vida particular. Saiba, Jackson, foi um enorme prazer revê-lo forte, feliz e ainda mais vencedor.
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 21/junho/2007
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