Vez por outra é interessante a gente fazer uma loucura. E um das que temos feitos com resultados extremamentes agradáveis é dar uma esticada até São Paulo para assistir um ou outro espetáculo. Da última vez a escolha foi “My fair Lady”, um musical com 10 cenários, excelente orquestra de 20 músicos, nada menos que 40 artistas, 300 figurinos e 65 técnicos. Tudo isso a gente reclama do preço que não chega a R$ 100.

“My fair Lady”, um dos espetáculos mais aplaudidos do mundo ocidental, é baseado na peça Pygmalion, de Bernard Shaw, texto de Alan Jay Lerner, música de Frederick Loewe, com bela versão brasileira de Cláudio Botelho.

O elenco é numeroso. Vou cita apenas alguns: Amanda Costa, Daniel Boaventura, Francarlos Reis, Malu Pessin, Noemi Duarte, Tosana Pena, Eduardo Amir, Alessandra Vertamatti, Andréia Vitfer, Carla Cottini, Fernando Belo, Gianna Pagano, Fernando Palazza, Kátia Galasso, Leonardo Wagner, Rejani Humphreys, Renata Sampaio, Roberto Borges, Samantha Caracante, Roberto Rocha e Verusca Wilke.

“My fair Lady” é uma das raras obras nascidas na Broadway que atualmente faz parte do programa das maiores casas de ópera, das principais orquestras e do repertório das grandes estrelas do canto lírico. No espetáculo de São Paulo, no agradável Teatro Alfa (um Guaíra, pouco menor), 95 pessoas laboram nos bastidores: iluminadores, maquinistas, camareiras, contra-regras, maquiadores, peruqueiros, técnicos de som, produtores e auxiliares. Quanto ao tema pode-se dizer que “My fair Lady” ensina, de forma divertida, como cultura e educação são instrumentos fundamentais para melhorar a qualidade de vida e preencher esse abismo que, no Brasil e em incontáveis nações, separa uma classe social de outra e, até mesmo uma alma da outra.

“Eu vendia flores. Mas eu não me vendia. Agora que você me transformou numa dama, o que mais posse vender?”. “Chocolate pra mim comer, chá com leite pra mim beber, carvão pra me aquecer, meu Deus, mas era bão demais”. São falas de Amanda Costa, excelente e bela no papel de Eliza Doolitle. “Moral é uma coisa muito cara. Nem o senhor teria se fosse pobre como eu”, diz Francarlos Reis no papel de Alfred Doolitle, aplaudido de pé, depois de cantar “Com um pouquinho assim de sorte, eu jamais terei que trabalhar”. E, depois, reconhecendo: “Eu sou inútil e eu gosto”. “My fair Lady” fez estréia na Broadway no dia 15 de março de 1956 e ficou em cartaz por seis anos em 2717 espetáculos para milhões de espectadores.

Vale dizer que a primeira vez que assisti “My fair Lady”foi, há não sei quantos anos, na década de 60, no Rio de Janeiro, com Bibi Ferreira e Paulo Autran. Encantei-me. Comprei o disco e jamais desencantei.

Publicado no jornal “Gazeta do Povo”, 3/outubro/2007