O governo federal confiou cartões de crédito a 11.510 funcionários públicos para que pudessem sair a gastar pelo mundo afora. Eles gastaram mais de 20 milhões de reais e Sua Excelência, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, teve a ousadia de declarar à imprensa que esses gastos teriam que ter caráter sigiloso. Ousadia ou ignorância?
Sabemos todos que o governo não tem dinheiro. Nós o abastecemos, o que significa que o dinheiro aplicado com o uso de cartões de crédito também é nosso. E gasto sem licitação, sem prévia especificação, ou seja, “a la vonté”.

Foi justo e preciso o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, ao afirmar: “Se a Presidência da República tem gastos esses gastos têm que revelá-los. Não há preceito na Constituição Federal (e nem nas Estaduais), que, interpretado e aplicado, direcione a esse sigilo quanto a gastos públicos”.

Curiosamente, na mesma oportunidade tomamos conhecimento de que os pilotos e tripulantes que servem o chamado Aero-Lula, avião de luxo que serve à Presidência da República, recebem remuneração milionária, em média, 52 mil reais por mês.

E quando nós do Sul do país decidimos chamar a capital federal de “ilha da fantasia”, o pessoal lá de cima reclamou, como sempre, nos acusando de ser o “sul maravilha”. Na verdade, não sei se não devemos concordar com essa estranha “acusação”, contudo creio que seria pertinente um estudo para averiguar as causas dessa diferenciação, o clima, a formação cultural, o solo ou alguma divergência na administração e na atuação política.

Retomando a questão dos cartões, para a qual tive minha atenção voltada para o tema ao me deparar com a revista Veja (que ao ser lançada se chamava Veja & Leia) em cuja capa se estampa a chamada: “O mundo encantado dos cartões – A farra no uso dos cartões de crédito do governo revela os hábitos de uma elite burocrática que gasta sem limites nem regras o suado dinheiro do povo”.

Pior ainda: eivado de corrupção. A exemplo de uma nota fiscal da Presidência da República na qual o Tribunal de Contas da União apontou a rudimentar falsificação: a despesa foi de R$ 9,40 e transformada em R$ 99,40, uma vez que a nota não especifica o valor por extenso. E cabe a pergunta: Terá sido a única vez que esse procedimento tenha sido adotado?… Com o dinheiro do povo. Sim o dinheiro arrancado do nosso bolso, não facilmente conquistado e tão facilmente surrupiado por uma das maiores cargas tributárias do mundo.