O título deste escrito pode parecer exagerado, absurdo mesmo. Mas é o vocábulo ditado pelo meu coração. Será possível crer na existência do paraíso, ou será o paraíso palavra nebulosa criada pelo ser humano, a exemplo de Deus, para nos socorrer ou para nos oferecer maiores esperanças?
Sem encontrar a resposta, revelo que o paraíso a que me refiro existe e não fica no céu. Ou seja, não é necessário morrer para alcançá-lo, logicamente para aqueles que o mereçam. Não sei se será o meu caso. Talvez… Não lembro se já fiz bem a alguém, mas estou certo de que mal jamais cometi. Ah… quiçá, como jornalista, tenha assinado algo que desgostou a alguém. Na verdade aconteceu mais de uma vez. Sim, cheguei a responder processos. Recordo que uma oportunidade fui chamado para depor no CPOR. Cheguei recebido por uma patente, não sei identificar aquelas estrelas e divisas tanto do exército, quanto marinha e aeronáutica. Pediram-me (ou mandaram-me), quando militar manda geralmente é ordem, entrar numa sala onde outro militar estava à frente de máquina de escrever. Comecei a ser interrogado, isto mais aquilo, até que cansado e aborrecido, levantei-me e, engrossando a voz, necessidade para quem é miúdo como eu, indaguei: Afinal, o que foi que eu publiquei errado ou que alguém não gostou? O militar que estava ao lado ouviu e me disse: Nada que o senhor publicou. O senhor está aqui por ter mandado invadir território militar. Assustadora surpresa. Com efeito, eu havia lido num jornal do Rio que o IBC – Instituto Brasileiro do Café, potência de estatal na época, mais importante que ministérios, havia alugado barracões naquele local, parece-me que Boqueirão, e sabia que o IBC tinha vários barracões seus vazios. Jovem idealista, defensor dos cofres da pátria, servo da ética, declarei guerra pelo jornal. E acabei num processo. Mas, costumo dizer que nasci virado para a lua, pois dias mais tarde, coisa rara, revolução no Brasil. Aliás bem brasileira, sem tiros, sem mortos, um ou outro preso e em pouco tempo tudo normal. Isto é que é país!
De tal modo que me foi possível chegar ao paraíso. Nome do paraíso? Costa Magica. Acertou, um navio. Sempre achei navio uma obra de arte da engenharia humana, mas esse Costa é especial. Não sei se todos os navios hoje são assim, fazia algum tempo que não ia “al mare”. Esse faz você se sentir em casa. Aliás, depende da casa; talvez do seu prédio, já que ele tem onze andares, não sei quantos elevadores, pois estão em locais diferentes, tem piscinas, bares e bares, cassino para quem gosta de perder dinheiro, eu sei que vez por outra alguém ganha, mas se cassino não ganhasse mais não existiria. Ou estou equivocado?
O que mais? Ah, sauna com vista para o mar. Não é um desaforo? Salão de beleza e… Deixa-me ler que a memória não guarda tudo: Capri Lounge, Capo Colonna Piano Bar, Spoleto Ballroom, Virtual World, Sicília Casino, Salento Grand Bar, Sala Carte Card Room, Isola Bella Lounge, Costa Smeralda Restaurant, Grado Disco, Internet Point, Capella, Portofino Restaurant, Bressanome Library, Costa Smeralda Atrium, Tour Office e Customer Service. Chega?…
Hi… Tem as pontes. Sabia? Sim ponte que em linguagem do mar se “chiama” deck, deck Canaletto, Tiepolo, Mantegna, Tiziano, Giotto, Veronese, Perugino, Caravaggio, Leonardo, Michelangelo, Rafaello, Tintoretto, Giorgine, como são agradáveis nomes da língua de Dante.
Comida? Ótima e demasiada. Última refeição na madrugada, minha disposição não chegou nenhuma noite até lá. Era demais… para mim, mas não para todos. Exemplos do cardápio. Almoço: Penne Panna e Prosciutto, Costata de manzo al forno (contra filé de carne bovina ao forno com batatas assadas), Spaghetti al pomodoro e basilico alla bolognese, Paillard di vitello alla griglia a bollita, Petto de pollo alla milanese, todos com batatas fritas ou assadas e legumes no vapor. Ah, e vinhos. Não tomei. Na realidade creio ser má companhia, não jogo, não bebo, mas juro que sou normal. Vinho Blanco Pablito del Monte Rioja, Espanha e Ripasso Valpolicella Superiore Veneto, Itália. O primeiro de 26 dólares, o segundo 29. Sobremesa: Torta Romeo e Julieta, sim nosso conhecido queijo com goiabada; Baba Tarantella, doce italiano; Parfait ai tre ciocolati com caulis di lampone (torta de chocolate com molho de framboesa); Mela al forno senza zucheccero (maçã ao forno com calda de hortelã sem açúcar); Gelato e sorbetto del giorno (sorvete de chocolate, baunilha, morango, avelã, limão e laranja); Fruta fresca di stagione (papaia, melancia – hum!, melão cantaloupe).
Digestivos: Preço por taça – Moet Chandon Dom Pergnon, 138 US dólar – oh moedinha danada! Veuve Cliceuot Ponsardin Brut, 74; Moet Chandon Brut Imperial, 69; Pomery Brut Royale, 51; Piper Heidsieck, 43; Jaquart Brut Mosaique, 37; Berluchi Cuvée Brut, 32; Prosecco Maschio V.S., 24; Asti Spumante Martini, 24; Moscato d’Asti Bosc Rey Batasiolo, 24; Baglio Florio vecchio florio Reserva, 5; Ruby Port Sandemann Bristol Cream, 5; Glenfiddich Ancient Reserve 18 years, 9; Courvoisier Napoleon, 9; Grappa Walcher: Cabernet Goldmuskateller Sauvignon Blanc, 6; Limoncello Amaretto di Disaronno, 5; Averna Jagermeister Montenegro Romazzotti, 5; Liquore di Grappa Miele Revel Chion, 5 dólares. E jantar: Composizione di gamberi (camarões com ervas aromáticas), Posciutto di Parma con melone, Frutta tropicale con salsa di papaia e fragole (morango), Minestrone alla genevese, Consommé di pollo con tortellini, gaspacho, risotto con zuca e gorgonzola, spaghetti con suco de aragosta e gamberi, Filetto di salmone fresco al forno, Tournedos di filetto di manzo (filé de boi) in salsa ai tre pepi, Anatra all’arancia (pato com laranja ao molho bigarade, etc.), Tacchino ripieno con farofa (italiano não tem termo para nossa farofa), Fagottino di crêpes (crepes recheados com queijo fontina e cogumelos com molho de queijo), Insalata Mista, salada verde, tomate cereja, erva-doce, cenoura, palmito e endivia e Formaggio, seleção de queijos italianos e internacionais servidos com crackers, mostarde de marmelo e uva.
E quase esquecia uma observação: Em caso de intolerância alimentar contate nosso pessoal de bordo. E em caso de congestão?…
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