O título deste artigo bem poderia ser outro, talvez mais atraente. “Camorra e Gomorra” certamente chamaria mais a atenção e bem definiria o tema abordado. Pelo que acabo de ler, a polícia italiana está averiguando notícias segundo as quais a máfia napolitana (não facilitem com ela!) anunciou que vai assassinar o autor do livro “Gomorra”, em cujas páginas ele denuncia a violência com que agiam os integrantes da máfia.
O livro foi levado ao cinema e se transformou em filme de grande sucesso. E o preço desse sucesso não ficou barato.
Roberto Saviano de 29 anos, seu autor, desde então (há dois anos), vive escondido e permanentemente sob a proteção de agentes policiai que sabem muito bem que as ameaças da elite mafiosa denominada Camorra quando fala não se limita às palavras. A máfia napolitana decidiu puni-lo depois que o livro atingiu altas vendas devido ao relato das investigações que Saviano realizou.
Apenas nas livrarias italianas o livro vendeu um milhão e duzentos mil exemplares. Ademais o livro foi traduzido para outros 42 idiomas. E o que mais causou irritação aos mafiosos foi a notícia de que o filme estaria concorrendo ao Oscar, o que levaria a sua história a ser conhecida pelo mundo afora. Daí a decisão tomada de assassinar Saviano e também os seus guarda-costas.
Quem fez a informação chegar à polícia foi Francesco Schiavone, vulgo Sandokan. A imprensa de Roma ao abordar o assunto, lembrou que o famoso clã mafioso dos Casalesi já havia comparecido às páginas policiais pelo assassinato de seis africanos. A organização criminosa atua em operações que vão desde a “venda de proteção” aos usuários de drogas (evidentemente aqueles que não pagam), até a disputa pela coleta do lixo.
Com a cabeça raspada, barba escura, olhar penetrante e camiseta preta, Saviano se tornou o símbolo de uma luta contra o crime organizado.
No último dia 12 de outubro ele completou dois anos vivendo com a companhia apenas de policiais e no mesmo dia deu uma entrevista ao rádio declarando: “Meus dias são terríveis. Passo a maior parte do tempo lutando boxe com os membros da minha escolta.” Alguns políticos convidaram o público a manifestar solidariedade ao escritor, mas, de imediato, a ex-ministra Giovanna Melandri passou a bradar que “A Camorra é um dos principais cânceres que assolam o nosso país.”
P.S. – Cautela com a máfia. E não apenas com a napolitana…
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