A Federação das Indústrias do Estado do Paraná, sempre preocupada com o nosso desenvolvimento, editou um encarte do qual tenho em mãos apenas uma página, em que aborda aquela que acredito ser a principal atração turística das araucárias: Cataratas de Foz do Iguaçu, maravilha ímpar sobre a terra e ainda desconhecida por meio mundo. Além do quê – e é essa a preocupação momentânea, mas que vem de longa data -, o fato de que os turistas chegam, ficam um dia, no máximo dois e “bye-bye, Brazil!”.

Por quê? Pela falta de alguma atração que o faça permanecer por mais tempo. A beleza das Cataratas é incomparável (quem, como eu, já visitou Niagara, sabe que não há termo de comparação com aquela que, todavia, recebe maior quantidade de visitantes). Por óbvias razões, a primeira das quais, estar próxima do grande poder econômico.

Nossa questão, entretanto, é Foz do Iguaçu. E especialmente, por que Foz não retém os turistas por mais tempo?

Creio que não só eu sei a resposta, já que ela é de conhecimento geral.

Alguém ainda não adivinhou que se trata do jogo? Sim, um cassino com belas instalações, ar-condicionado, restaurante com excelente gastronomia e tudo mais, com serviço logicamente de primeiro mundo.

Será difícil. Improvável. Os cassinos já funcionaram em nosso País e só porque dona Carmela Dutra achava feio, imoral, vicioso ou outro adjetivo qualquer, o presidente Eurico Gaspar mandou acabar com a festa.

E com milhares de empregos e com a permanência mais longa de visitantes que podem nos trazer dólares, euros, pesos e outras moedas irrecusáveis.

Há algum risco? Nenhum que não possa ser regulamentado. Pode-se até indicar os locais mais convenientes, distantes de grandes aglomerações urbanas. Como, aliás, parece-me que foi no passado.

Quando nossos patrícios não precisavam atravessar a fronteira para perder ou ganhar no Paraguai, na Argentina ou em Las Vegas.

P.S. – Os que visitam Foz, passam um dia olhando as Cataratas e… tchau!

Publicada no jornal “O Estado do Paraná”, 24/maio/2007