É verdade, ainda que simbolicamente, já que meus escritos por certo não poderiam ter qualquer influência na complexa política cubana, mas na ocasião bem recordo de um artigo que escrevi sob o Título “Todos a Sierra Maestra”, com a visão de que o movimento se destinava a derrubar um regime ditatorial (Fulgêncio Batista) e instaurar a democracia no simpático país. E, mais, estou certo de que não poucos, senão a maioria, também assim acreditou. Todos estavam com Fidel, todos com a mesma esperança e, sem dúvida, notadamente o bravo povo cubano.

Todavia é impressionante a “força” do poder político. Que seja através dos caminhos democráticos ou revolucionários, os vencedores quando recebem o cetro e se abancam no trono, sentem-se como se houvessem sido ungidos por uma aura divina e transportados para um nível de superioridade “urbi et orbi”.

Na realidade Fidel assumiu o poder com aplausos generalizados, que o acompanharam por alguns dias, até a data em que teve a coragem cretina de anunciar que “Cuba não precisa de eleições” e se transformar pela força e violência, que só assim os ditadores se mantém, no tirano de maior permanência sufocando grande parte da população em benefício dos seus áulicos.

Se escrevo sobre Fidel Castro é porque tomei conhecimento de que o ditador decidiu vetar a viagem de deputados brasileiros que pretendiam ir a Havana para ouvir os boxeadores Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux que estiveram no Brasil disputando os Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro de onde pretenderam fugir para a Alemanha, desistindo da idéia a pedido dos familiares e mesmo do governo cubano. Vai daí que ambos foram presos pela polícia brasileira e deportados, atendendo pedido de Fidel.

É fácil concluir que os atletas não foram recebidos com flores pelo governo cubano.

P.S. – Na realidade, muitos, como eu, devem ter se surpreendido com o Fidel Castro no poder, tão diferente do revolucionário que tanto combatia a ditadura do seu país e que ele acabou por abraçar para decepção global.