Vamos desde já usar o mesmo vocábulo para a abertura e para o encerramento deste artigo: lamentável!
Lamentável que um esporte instituído para unir, divertir, exercitar e outras finalidades sadias esteja se convertendo em caminho para o enfrentamento.
Ao que acabo de ler aconteceu com a torcida do Atlético, mas certo estou que não se trata de caso único, tal é a paixão que o futebol desperta.
Os que acompanham esse esporte devem ter sabido que antes de chegar a Belo Horizonte dois ônibus conduzindo aficionados do time rubro-negro, para torcer contra o outro Atlético (mineiro), foram, ocasionalmente, parados por uma batida policial que vistoriando os ônibus encontrou; drogas, muita bebida alcoólica, foguetes sinalizadores e… dois revólveres e munição.
Providencial a intervenção da polícia mineira, mas não ignoremos que foi por acaso. Quantos e quantos ônibus de torcedores de futebol viajam de um estádio a outro sem qualquer interrupção, pois jamais passa pela cabeça de gente de bom senso que torcedores apaixonados por um esporte apaixonante, criado com os mais elevados propósitos humanitários e de união racial, esporte que reúne, no mesmo gramado, palestinos e israelenses que disputam uma bola por hora e meia e se abraçam ao final, qualquer que tenha sido o resultado.
Recordo aos poucos que há algum tempo houve em São Paulo um movimento para proibir a formação de torcidas organizadas. À época, julguei exagerada a reação, mas se o passo da marcha continuar nesse ritmo e com esses solavancos, é o que vai acabar acontecendo. Não creio que quem gosta de futebol esteja buscando esse caminho.
Ir ao estádio e levar bebida alcoólica, foguete sinalizador e armas de fogo, com que intenção? Estão a caminho de um estádio ou de uma arena? Com escusas ao detestável apelido que o CA Paranaense aplicou ao seu campo de futebol.
P.S. – Repito, lamentável! Estádio esportivo é encontro de amigos do esporte, jamais de amizade ou não entre pessoas; e esporte de confraternização. José Lins do Rego, inesquecível, ainda que falecido há 50 anos, escreveu que “Futebol é como carnaval, um agente de fraternidade. Quando vou a um estádio, escuto o povo em plena criação”. (Em sua obra Poesia e vida: fôlego e classe.)
Publicado no jornal “O Estado do Paraná”, 8/junho/2007
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