Não mais que de repente, prefeitos de Norte a Sul do Brasil, que construíram um muro das lamentações, derramando lágrimas e denunciando uma situação de desespero, tesouraria abalada e caixa zero, conseguiram reunir todos os seus tostões e juntaram o bastante para uma não muito barata viagem de avião, mas classe econômica, para informar àquele cidadão que deixou o sindicato para presidir a nação e que de Lula passou a ser chamado de Luiz Inácio (Lula) da Silva e que aquilo que ninguém imaginava acabou acontecendo: Ele chegou à maior nação do mundo e o seu presidente lhe apontou o dedo e disse esse É O CARA! Nós brasileiros recebemos como encômio, ou será que para os americanos o significado é outro? Certo que não. Os chefes de Estado são pródigos em elogiar, certos de agradar não “ao cara” mas ao povo do seu país. É artigo fundamental da cartilha diplomática.
Vai daí que nossos prefeitos que atualmente devem passar de cinco mil, creio eu, acharam que havia chegado o instante de cumprimentar Sua Excelência. E para eles que adoram viajar com a graninha do povo descobriram boa justificativa. Conseguintemente, vamos à Brasília (logicamente, os do Sul passando por São Paulo e Rio e do Norte e Nordeste pela rota mais interessante a cada um).
Li que foram 421 os que deixaram suas cidades para “chorar miséria” na capital federal. Gastaram em média um milhão de reais, com passagem aérea, hospedagem, alimentação, transporte e… gorjetas. Sim, até porque essa despesa é daquelas que não se pode ou nem precisa comprovar, basta alegar pois sabemos que quem viaja precisa de táxi; uns pouco, outros mais e alguns poucos abusam.
Exemplo: Jackson Bezerra, prefeito de Afonso Bezerra usou três diárias de 1.800 reais para viajar do Rio Grande do Norte a Brasília, onde envolto na bandeira de sua cidade (esse vai longe!) lamentou a dificuldade financeira provocada pelo impacto das desonerações fiscais no Fundo de Participação dos Municípios. Bezerra declarou que seu município tem 11 mil habitantes, 460 funcionários, 5 mil beneficiários do bolsa-família e vive unicamente do Fundo de Participação dos Municípios.
No mês anterior o repasse líquido recebido foi de 80 mil reais. Ele, prefeito, recebe salário de 8 mil e pechinchou o quanto foi possível mas acabou pagando do próprio bolso 20 reais por uma foto de sua presença no evento que se realizou no auditório Petrônio Portela, do Senado Federal.
E o prefeito de Rio Verde (Mato Grosso do Sul), Wiliam Douglas de Souza (PPS), informou que seu município de 18.500 habitantes recebe 700 mil do FPM, mas 480 ficam retidos para pagamento da dívida com o INSS. O prefeito de João Alfredo (PE), Severino Cavalcanti (PP) chegou quase ao final do encontro e falou: “Sei que estou dando despesa ao município, mas vou de segunda ou terceira categoria e tenho esperança de não voltar de cuia vazia”. E bateu no ministro da Fazendo, Guido Mantega: “Não podemos ser esmagados só porque o ministro da Fazenda pensa que estamos cheios de dinheiro. Vou dar dez centavos que ainda tem no caixa da prefeitura para ele comprar um pedaço de corda e se enforcar”. Foi a única oportunidade em que todo o plenário estourou em forte gargalhada. E o prefeito de Terenos (Mato Grosso do Sul) e presidente da Associação dos Municípios de seu Estado recordou que o presidente Lula prometeu em fevereiro, aos prefeitos, um pacote de bondade, mas o que os prefeitos receberam foi um pacote perverso e indesejável.
P.S. – “A vida é mais real do que a realidade!” (Alphonsus Henriques de Guimarães Filho, poeta mineiro que viveu de 1918 a 2008).
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