Vou tentar explicar o melhor possível para ver se possibilito ao leitor entender, porque eu achei demasiadamente complicado. O título da notícia, em um dos principais jornais do país, O Estado de S. Paulo, minha leitura diária, juntamente com O Estado do Paraná, era o seguinte: “Burquini é vetado em piscina francesa”. A primeira admiração é a existência de censura logo onde? Na França, da liberté, igualité e fraternité, da França histórica que legou ao mundo as primeiras lições de liberdade, ainda que necessitasse lançar mão da revolução, que abriu as portas para notáveis escritores sedimentarem o que hoje proclamamos em alto e bom som como liberdade de expressão do pensamento, defendendo o supremo direito da sociedade de ser livremente informada de tudo que ocorre em sua nação.

Guardo sempre na memória a participação que tive em um congresso de Comunicação Social, nos Estados Unidos, em que um dos conferencistas acentuou que a garantia da liberdade de informação não era um ato em favor da imprensa, mas sim em defesa do sagrado direito da sociedade ser informada, notadamente sobre a forma com que a administração pública aplica o suado dinheiro arrecadado ininterruptamente da própria sociedade. E completou: “Nenhum Estado tem dinheiro. Ele se abastece de impostos, sempre elevados e aos quais ninguém pode deixar de pagar, para constituir o que a política econômica chama de erário, ou seja, montante financeiro à disposição de governantes com a única finalidade de atender às necessidades daqueles que recolhem tributos”.

Mil escusas por haver fugido do tema. Era o burquini, não? Pois é. Biquini, monoquini e agora burquini. Mas creiam, esse tal de Burquini é chamada a versão dos trajes de banho muçulmanos que… cobrem o corpo inteiro da mulher. Um complemento da notícia informa que o prefeito da cidade justifica a proibição em respeito ao regulamento das piscinas que proíbe o banho de pessoas totalmente vestidas. Sim. E eu acreditava que já sabia muito. Vivendo e aprendendo.

P.S. – É muito agradável um momento de loucura. Horácio, Odes, Livro II.