Quando alguém (melhor não lembrar seu nome) falou num passado não muito distante que o Brasil não é um país sério, eu e grande parte do povo que tomou conhecimento do insulto se indignou. E não sem razão, até porque, verdade ou não, talvez a maioria das nações possam merecer essa qualificação. A ética, no entanto, recomenda que se lave a roupa suja em casa, para usar o conhecido chavão. Bem raciocinando, tenho a impressão de que quem sabe não nós pobres mortais, mas nossos governantes se servissem do “puxão de orelha” para consertar um ou outro arranhão que vez por outra macula a nossa bandeira.

Vamos passar um rápido filme de recentes acontecimentos para ver a que conclusão poderemos chegar. Darei apenas os títulos ou sinopse do assunto já que a transcrição das notícias daria uma enciclopédia.

Vamos lá, sem qualquer preocupação com ordem de importância.

Principiemos com gente de nossa Casa, do Brasil. Alaor do Carmo de Oliveira Jr. e Reynaldo Eid Jr. foram presos na Califórnia e condenados à prisão perpétua, acusados do sequestro de uma também brasileira e seu filho quando levavam imigrantes ilegais para os EUA. Ainda do Brasil, agora em S. Paulo. O campus da USP, no Butantã, registrou em 2008 nada menos de um furto por dia. A prefeitura colocou câmeras de vigilância mas logo elas começaram a ser roubadas. E notaram, não em uma favela. No campus de uma das maiores universidades brasileiras, a USP. O Ministério Público denunciou 20 pessoas por tráfico de drogas em Guarulhos (SP), entre eles funcionários públicos federais, do aeroporto de Guarulhos e de… policiais civis. Ultimamente policiais têm se envolvido com a marginalidade. É estranho, mas vou ligeiramente apontar a causa: Um cidadão incumbido de correr dia e noite atrás de bandidos e vive permanentemente ameaçado de morte, não pode sobreviver com o salário que lhe é atribuído… Porque não se faz uma pesquisa com familiares desses soldados que tão relevantes serviços nos prestam? Disse soldados, mas aí se inclui, evidentemente, a brava polícia civil. É sério o país em que um governador (Marcelo Miranda, PMDB, Tocantins) viaja 12 dias pelos Estados Unidos, com dinheiro público? Ou ainda, e essa é de chorar de rir, um país em que, leiam só: “O sumiço de uma ilha com cerca de 20 mil metros quadrados, na Barra da Tijuca (RJ) está deixando de cabeça quente o governo do Rio. Fotos aéreas de 2004 mostram perfeitamente a existência da ilha, mas fotos aéreas de 2008 surpreendentemente provam que ela desapareceu”. Como num país sério?

Será que fato idêntico já ocorreu em outro país ou continente? Creio que essa ainda não foi incluída no Guinness Book por desconhecimento.

E há quem diga que a Índia está presente também neste país sério. É que entre nós estão aos milhares pessoas que buscam melhorar de vida com os hábitos indianos. Exemplo típico: Sri Ravi Shankar (seria esse o seu legítimo nome?) atende em suas aulas na Vila Madalena (SP) mais de 300 clientes por semana. Segundo o próprio, sua escola é filial da Fundação Arte de Viver, criada em 1982 pelo mestre Sri Ravi Shankar, nascido em Papanasam no sul da Índia. A média de frequentadores do curso em SP aumentou sensivelmente com a novela Caminho das Índias em que a atriz Juliana Paes faz o curso de sudarshan kriya para viver a personagem principal. Aliás, penso que se Karl Marx fosse vivo hoje mudaria sua frase e diria: Novela é o ópio do povo.

Pode ser sério um país que tem mais de 4 mil brasileiros cumprindo penas em prisões mundo afora, acreditem, além dos EUA, lógico, na Indonésia, na Turquia e até na Ilha de Java? É sério o país em que o presidente do maior banco brasileiro (Itaú-Unibanco) declara que a economia está para descer a ladeira e a população dá de ombros? Ou o país cujo líder do PSDB no Senado propõe demitir 3 mil funcionários admitidos sem concurso? Esclareço. De repente o bom senso político baixou uma lei que funcionário público só se admite através de concurso. Afora, certo, os cargos de confiança, em comissão, demissíveis “ad nutum”. Vai daí que a “inteligentzia” brasileira passou a criar mais cargos em comissão do que efetivos. Caso único no mundo e na história. E agora alguém resolveu não compactuar com a imoralidade. Ou um Brasil que vai ao Fórum Mundial em Istambul para declarar que o acesso à água não é um direito humano. Dá vontade de soltar um palavrão. Ou o país dos Sarney em que a senadora Roseana, com passagens pagas pelo Senado leva amigos e parentes, para fazer viagens aéreas do Maranhão para o mundo. Pior é que há muito mais, contudo por ora basta a fim de evitar um princípio de revolta mais do que justificada.

P.S. – “Pátria é onde vivemos sem penar e sem dor, onde rostos amigos nos rodeiam e onde temos amor”. (Gonçalves Dias, ou melhor, Antonio Gonçalves Dias, poeta maranhense falecido em 1864 a bordo do navio “Ville de Boulogne” no porto de Guimarães, em seu Estado)