Essa palavra pesada parece ter firmado um pacto com o diabo, a quem teria garantido que jamais abandonaria a administração dos dinheiros públicos.
Embora essa constitua uma afirmativa de ficção, é difícil encontrar na realidade algo que justifique a presença indefectível da corrupção nos atos públicos.
Recorde-se que o atento Tribunal de Contas da União divulgou, há algum tempo, o resultado de vistorias em 381 obras do governo em oito órgãos do poder central e os problemas com os quais se defrontou foram de natureza variada, mas velhos conhecidos: contratação de obras através de licitação viciada (são 30% do total de obras irregulares); superfaturamento (20%) e alterações não previstas nos projetos (10%).
O TCU decidiu encaminhar aos presidentes da Câmara e do Senado, um relatório com todas as informações colhidas na inspeção, acrescendo uma sugestão: recursos destinados a 23,1% das obras irregulares deveriam ser suspensos.
Ressalte-se que o TCU vinha fazendo essas verificações há mais de cinco anos, analisando 1.713 obras, mas essa investigação, constatando irregularidade em uma de cada cinco obras examinadas, chegava a comprometer 3 bilhões do total de 14 bilhões de reais previstos para essa área na lei orçamentária.
Certamente por ser a que dispõe da maior soma de dinheiro, a área federal tende a ser onde se localiza o maior número de atos irregulares. E dos órgãos federais (assim também nos Estados), o mais atingido é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes; depois o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas; em seguida a Companhia Brasileira de Trens Urbanos; o Fundo Penitenciário Federal; a Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano; as Centrais Elétricas do Norte do Brasil; o Ministério do Esporte e Turismo e o Ministério da Educação.
P.S. – Sabemos que a corrupção dificilmente pode ser integralmente extirpada, mas é dever de todos reduzi-la ao mínimo possível!
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