Ela apareceu chorando na tela da Globo sem que o público soubesse a razão. E as lágrimas não eram de uma pessoa comum, mas de uma bailarina, não simples bailarina, mas bailarina diferenciada. Seu nome? Fernanda Bianchini. E ela chorava por quê? Fernanda havia começado a dar aula de balé para crianças cegas e ela sabia o desafio que estaria a enfrentar. Mas, paciente e corajosamente persistiu com aquela calma que só recebemos do céu mais azulado. As professoras de balé de Fernanda chegaram a desaconselhá-la. Seria perda de tempo. Como acreditar que crianças sem poder ao menos enxergar possam aprender passos difíceis de balé?
Fernanda, de quem falamos, nasceu no chamado ABC paulista, precisamente em São Caetano do Sul (o ABC é dos santos André, Bernardo e Caetano), há 31 anos e se iniciou no balé já aos três anos. Mas sem grande interesse, o que aconteceu quando as freiras do Instituto de Cegos Padre Chico lhe fizeram um pedido: Por que você não dá aulas de balé para nossas crianças? Ela pensou, ensinar piruetas, plié e outros movimentos para crianças cegas é impossível. Recorreu às suas professoras que a desencorajaram e ela até pensou em desistir. Seus pais, contudo, a estimularam dizendo que para vencer na vida ela teria que evoluir e não fugir dos desafios. Logo ao início, frente à dificuldade, as alunas pediram para tocar seu corpo durante a dança. Mas não sabia como mostrar o fluir dos braços. Estranhamente a solução veio de um sonho, durante o qual a bailarina se viu sem seus braços e em seu lugar teria folhas de palmeiras que balançavam graciosamente. Dia seguinte pegou várias folhas e amarrou nos braços das alunas dizendo: Dancem sem deixar as folhas desgrudarem dos membros. Deu certo, tanto que mais tarde esse método foi a técnica de ensino com que ela defendeu o seu mestrado. E na sede da associação que montou, se antes só atendia crianças do Instituto passou a atender também crianças deficientes e carentes e, atualmente Fernanda e seis mais, inclusive duas cegas, dão aulas de balé, sapateado e outras artes para mais de 50 pessoas e passaram a fazer espetáculos, 20 por mês ao preço de 4 mil reais cada. Geyza Pereira, uma aluna de 15 anos, sonhava ser bailarina, perdeu a visão aos 9 anos e pensou que jamais conseguiria. Fernanda provou o contrário, isso aconteceu e minha vida ficou mais feliz.Para chorar de felicidade.
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