É cíclico na história política e não só do nosso país. Começa uma gestão governamental e o chefe da nação vai, desde logo, direcionando críticas ao seu antecessor, preparando o caminho para proclamar o seu mandato como o de maior êxito.
E o presidente Luiz Inácio se valeu da crítica que recebeu do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, classificando de podre o seu governo, para anunciar que 80% dos casos que a Polícia Federal conseguiu desmantelar começaram antes de sua posse no Palácio do Planalto. E foi mais longe, acusando FHC de não saber se comportar como ex-presidente, pois dá mais palpites agora do que quando estava no governo. Acrescentando mais que Fernando Henrique deve estar bastante irritado porque já não encontra mais espaço político, porquanto seu partido, o PSDB, não tem aparecido muito forte nas pesquisas.
A principal arma, no entanto, de que se utilizou o presidente foi denunciar que a corrupção começou na gestão de Fernando Henrique.
Corrupção. Eis aí o ponto maldito da política. Que em nossa terra, lastimavelmente, parece ter criado raízes no passado tão fertilmente plantadas que se tornou difícil eliminá-las.
E escrevo com conhecimento de causa. Fui integrante do bravo Tribunal de Contas do Estado do Paraná e, nessa condição, participei de reuniões e congressos por esse Brasil afora, sempre dando de frente com o mesmo problema.
E recordo que, quando interpelado por várias vezes por assistentes incrédulos, afirmei com convicção: Eu concordo que talvez seja impossível eliminar totalmente a corrupção. Mas é dever de todos, na função pública, um profundo empenho na luta para reduzi-la ao mínimo possível.
P.S. – Isto feito, não teremos chegado a um almejado Estado Ideal. Mas, quando pouco, alcançaremos um nível de administração mais compatível com os anseios que a sociedade deseja e, por justiça, merece.
E ademais, Sua Excelência Luiz Inácio, não importa se a corrupção começou com FHC. O que importa agora é saber por que não acabou ainda…
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