Calma leitor, eu não provei, não sei se faz bem ou mal, e só decidi abordar esse tema complexo, perigoso e até assustador que tem afetado a união de não poucas famílias. Com efeito, se há uma questão angustiante neste passo da moderna vida aí está o crescente consumo de drogas. Disse complexo por quê? Porque altamente lucrativo está formando uma elite que domina o tráfico e se faz cada vez mais rica. E com dinheiro caindo do bolso, não tem dificuldade nem escrúpulo em oferecer altas somas aos nossos muito mal pagos policiais. De quando em quando vejo aqui ou ali uma acusação pública ao policial que se deixa vencer pela atração financeira. Mas penso logo. Quanto o Estado vem pagando a essa pessoa para passar todos os dias à procura de bandidos, arriscando a vida em defesa das nossas? Ainda recentemente fomos informados de covardes assassinatos de respeitados policiais emboscados quando chegavam de volta do trabalho a sua residência. Não fiquei sabendo do seu salário, mas guardo absoluta convicção que era cinco vezes inferior ao que mereceria.

Cheguei ao policial pelo caminho da droga porque os traficantes de droga são os mais dispostos a suborná-los, até pela razão de que o seu “comércio” é altamente rentável. Rentável por possuir enorme clientela naquele nível que a música denominou de “high society”. É, conseguintemente, um círculo conhecido mas não fácil de ser eliminado: drogas cruzam nossas fronteiras gigantescas e assim de difícil controle com mais de uma nação vizinha, evidentemente encontram pessoas interessadas no ganho fácil do nosso lado e, por fim, encontram um não pequeno número de clientes (ou viciados), que esperam até com aflição pela chegada da encomenda ou do “remédio”.

No início de maio, a bela orla do Rio recebeu centenas de pessoas que, corajosamente, desfilaram por Ipanema defendendo a legalização do uso do entorpecente. Confesso que não cheguei a meditar sobre isso, mas, “an passant”, me parece que caberia uma lei reguladora, “verbi gratia”, uso mediante receita médica específica e vendida em farmácias confiáveis. Reconheço que em nosso Brasil isso não é fácil. Mas, quem sabe principiando por aí se possa alcançar uma solução adequada.

P.S. – Fugir do vício não é virtude, é a primeira condição para ser sábio e não ser tolo. (Horácio, Epístolas)