Imperdoável que minha memória não tenha gravado o momento em que o conheci, mas foi no Rio de Janeiro à época em que mantive apartamento na Rua Barão da Torre, 47, ap. 403, Ipanema e onde por mais de vinte anos passei férias, até vendê-lo. E só vendi porque minha querida Rose Marie, certo dia, me surpreendeu dizendo: Novamente o Rio? Surpreendeu porque jamais imaginei que alguém se cansaria do Rio. Para mim, que não conheço tudo mas boa parte do globo, é a cidade melhor desenhada abaixo do céu. Houve alguém que me contestou preferindo Nápoles e Istambul que não conhecia e silenciei. Mas após conhecê-las posso reafirmar. Não há beleza na terra que se compare ao Rio de Janeiro, inobstante seus defeitos que, aliás, não são exclusividade sua.
Miguel Seabra Fagundes, magistrado e jurista nascido em Natal em 1910 e diplomado pela Faculdade do Recife em 1932 foi juiz, procurador e desembargador no Rio Grande do Norte e uma das amizades que me deram orgulho, felizmente não a única. Uma cultura tão alta quanto a sua simplicidade. Retribuindo um convite que me levou a jantar com ele no restaurante Marisqueira, em Copacabana, convidei-o a jantar em meu apartamento carioca e minha querida Rose Marie serviu, entre outras coisas kiwi que ele não conhecia. E, singelamente, se informou com minha esposa do que se tratava, depois de elogiar a comida. Vindo a Curitiba para fazer um pronunciamento, me telefonou e trocamos apertados abraços e ele me presenteou com um livro de sua autoria autografado que estou tendo dificuldade em encontrar na minha modesta e pouco organizada biblioteca.
Personalidade admirável, numa de nossas conversas perguntei-lhe porque nunca aceitou um cargo público, notícia que colhi da imprensa, e a resposta foi a seguinte: “Meu amigo, é difícil você exercer um cargo de confiança de uma alta autoridade e manter sua postura ética. Ou você briga com sua consciência ou acaba se atritando com quem o nomeou. Então é melhor…”
P.S. – Poderia haver resposta improvisada melhor coordenada?
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