Viajar é um dos melhores momentos da vida, mas pela ordem, começando portanto pelo conhecimento de nossas próprias atrações que não são poucas e tem vantagens fundamentais. Primeiro, você continua em seu próprio território e não se sentir um estranho é talvez a melhor vantagem. Outras porém acompanham e de relevância: não há necessidade de fazer câmbio. Este problema é dos que mais incomoda. Na verdade você procura se informar da melhor maneira para evitar perder dinheiro ao precisar de moeda estrangeira. Pode, entretanto, tirar o cavalo da chuva. Com esforço e perda de tempo e até de paciência, você pode perder menos, mas vai perder sempre. Será que não tem mesmo jeito?

Mas verdade é que se perde e vai em frente para transformar o sonho da viagem em realidade. Na primeira vez que se deixa o Brasil, depois de percorrer a Cidade Maravilhosa, assistir o espetáculo incomparável das Cataratas do Iguaçu, perder-se entre as figuras incríveis de Vila Velha, saborear lagostas no norte e nordeste, aventurar-se na floresta e nos Igarapés do Amazonas (Ih… e um “banho de vela”!?) e sentir o sabor exclusivo da baianidade, quero unir a beleza verde e cultural da Bahia aliada à beleza da mulher baiana.

Só depois enfrentar a corrida por um passaporte que, segundo sei, está se tornando cada vez mais fácil, passar para frente e fazer o câmbio (Quanto, onde, será que vai dar e o cartão de crédito é aceito onde?) e começar a enroscar a língua para ensaiar o idioma deste ou daquele país, o inglês é o maior aliado mas em alguns países só apelando para o gesticulês e o mimiquês, representando cenas que se filmadas pareceriam ridículas. Mas há também agradáveis imprevistos. Numa viagem, chegando em Berlim, ao passar na borboleta de saída do aeroporto, enrosquei numa pessoa que me olhou e se desculpou em inglês e eu respondi, desculpe-me o senhor que é brasileiro. Quem era? Carlos Lacerda. Nos abraçamos, pois algum tempo antes eu o havia convidado para vir a Curitiba, já que fui sempre seu admirador. Outra vez estávamos numa cidade suíça embarcando para Milão e na espera do aeroporto sentamos na frente de um cidadão. Eu olhei para ele, ele para mim, ambos em dúvida, será ou é alguém parecido, o que já me aconteceu muitas vezes. Mas, de fato, era o nosso querido e animado músico Bepi, abraçamo-nos e ele acabou nos indicando um restaurante. Em Milão não deixem de ir ao Gran Sasso, um restaurante que tem o nome da maior montanha da região, está sempre de porta fechada, serve comida de qualidade mas se destaca pela farra coletiva, ou seja, tanto dos garçons quanto dos clientes, estes, é lógico, uns mais que os outros. Suas cadeiras de palha tinham gravadas nomes de artistas, lembro que a da Rose Marie tinha o nome da Mônica Vitti, o macarrão a gente via ser cortado com os fios de uma espécie de guitarra, os garçons batiam sinos, havia música e, para encerrar era servido o cafezinho e o açúcar vinha num… urinol!

Mais discretos e comedidos sãos os restaurantes (e hotéis) de Roma, Nápoles e Veneza (caríssimos) na Itália, como os de Lisboa e outras cidades lusitanas, de Paris e da sua Riviera agradável (e estando ali não deixe de ir a Monte Carlo, lugar para ir e voltar), Espanha que não pode ser só Madri e Barcelona, mas imperdíveis Granada e Málaga do Sul e, se possível, Córdoba, no centro, um pouco deslocada. A Espanha tem um povo gentil e receptivo, movimenta-se sem dificuldade, come-se e bebe-se muito bem. E a música está na cabeça do ibope, como é magnífica a música espanhola. Em vez de se esforçar para assistir a uma tourada, passe duas noites vendo bailarinas e ouvindo música e o delicioso sapateado ao som das castanholas. Arriba! E viva la Espanha e seus notáveis e ricos museus.

Lisboa e demais atrações da nossa Terra Mãe dispensam referências, já que a maioria dos brasileiros conhece tanto ou mais que eu. Mas as sardinhas portuguesas e os seus doces, ah!

Também essa Terra Mãe vem lá dos confins dos tempos. Há indícios de que o homem pré-histórico habitou a Lusitânia nos primeiros períodos da idade da pedra. Positivamente não dá para começar daquele ponto. Mas dá para terminar por aqui.