Estou recordando que o título deste escrito está ao meu lado desde a juventude. Nos sonhos de menino, na pacata e saudosa Campo Largo, época em que, comprando revistas em quadrinho comecei a tomar gosto pela leitura, contrariando a orientação paterna (pára de ler essas bobagens e vá apanhar um livro!). Acredito que seria difícil aceitar que lendo “Gibi” (naquele tempo gibi não identificava revistas, era o nome de uma revista, ao lado de “Lobinho”, “Globo Juvenil”, enquanto os super heróis tinham revistas com seu próprio nome: Flash Gordon, Mandrake, Fantasma, Príncipe Submarino, Capitão Marvel e os homens, Super Homem, Homem Aranha, Homem Morcego, etc.) eu acabaria me tornando escritor.
Vê-se, portanto, que comecei viajando na leitura. Mas foi, paradoxalmente, a partir dessa leitura por muitos condenada, que cheguei aos livros e à enorme paixão por eles, a ponto de lentamente começar a escrever. Morando, ao tempo 33 quilômetros da capital, escrevia e vinha trazer minhas linhas para o jornal O Dia, que tinha sede na Praça Carlos Gomes. Como o primeiro foi publicado, comecei a trazer um por semana; afinal era um “trabalhão” escrever, tomar um ônibus, viajar hora e meia, quando menos, descer no ponto do ônibus, perguntar onde ficava o jornal (eu mal conhecia Curitiba) e, temeroso, constrangido mesmo, oferecer minha colaboração. Creio ter sido minha primeira lição na imprensa o que me levou, quando cheguei à direção do jornal O Estado do Paraná, a não recusar colaboração. Aliás, certo dia um jovem chegou à minha sala, sem me conhecer e pedindo se eu poderia publicar um artigo seu assinado com o pseudônimo S. Euros, que hoje o Brasil conhece com o nome de Silvio Back que de jornalista se transformou em um dos nossos melhores cineastas, sério e competente.
Quase ia esquecendo de viajar, um dos melhores prazeres da vida. E mal sabia, como jamais imaginei, que a profissão de jornalista me proporcionaria mais viagens que a carreira diplomática que almejava. E com uma ótima vantagem: convidado especial do governo. Parecia sonho. Acompanhado da minha querida Rose Marie percorremos dois países por inteiro sem colocar a mão no bolso. E bem lembro que chegando aos EUA, fui levado em carro oficial para o Departamento de Estado para uma entrevista na qual me perguntaram o que preferia conhecer. Respondi-lhes ambiciosamente com um roteiro imenso, incluindo o Havaí, aliás, a única recusa.
Felizmente haviam-me elaborado programa cultural, do qual inesquecível foi um dia passado no Hudson Institute, recebendo lições primorosas de um dos poucos “gênios” que cheguei a conhecer, Hermann Kahn.
P.S. – “As viagens constituem a parte fútil da vida das pessoas sérias e a parte séria das pessoas fúteis”. (Mme. Swetchine)
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