Não se trata de reclamação nem de vaidade. Sou daqueles que paga o preço absurdo sem reclamar acreditando que uma pequena discussão nos desagrada mais. Mas, sem outro assunto para o momento vou recordar o aniversário do vespertino “Tribuna do Paraná”. O leitor deve estranhar eu falar em vespertino. Ocorre que a ideia inicial era essa. Não recordo bem o ano, mas lembro que estava noivo e de casamento marcado com minha querida Rose Marie que vem me suportando há mais de meio século – conviver com um jornalista-metido-a-professor, o que não é vida das mais tranqüilas.
Ocorre que não apenas faltou salientar que o jornal nasceu vespertino como a lembrar de quem o fundou. História que teve início quando na minha juventude eu cursava Direito na gloriosa Universidade Federal do Paraná e passei a trabalhar na redação de “O Estado do Paraná”, jornal da Editora O Estado do Paraná que nasceu pela necessidade de dar apoio ao governador Bento Munhoz da Rocha pois ao tempo o Lupion era proprietário de um jornal, Gazeta do Povo e os demais, a exemplo do Diário da Tarde, Diário do Paraná e outros menos votados apoiavam o governo do Sr. Moysés Lupion (de Tróia), acredito que o cidadão que por mais tempo ocupou o Palácio Iguaçu. Curioso, eu que sempre fui oposição já que meu pai era udenista e a gente votava no Brigadeiro “que é bonito e é solteiro”.
Como jornalista se atrapalha; já estava olvidando o motivo que me levou a produzir este artigo. Na notícia lida em “O Estado” sobre o aniversário da “ Tribuna” esqueceram de citar o nome do seu fundador. Quem? Ora, eu, quem mais reclamaria. Trabalhava eu na redação de “O Estado”, escrevendo numa das últimas meses da redação até que certa noite, um dos sócios, Fernando Alves de Camargo, sentou-se ao meu lado e falou baixinho, talvez temendo que os demais redatores ouvissem:
– Você que é a melhor cabeça desta redação, bole um jornal para a gente vender quinhentos exemplares no fim da tarde nas filas de ônibus.
Dois dias depois Fernando volta e me cobra:
– Pronto?
– Não.
– Como, um jornal comum como eu te falei.
Respondi:
– Fernando, minha ideia é diferente.
– Qual?
– Minha ideia é fazer um jornal para Curitiba.
– De que modo?
– Um jornal dando destaque aos temas locais.
À época todos os jornais, não só do Paraná como de outros Estados, só publicavam manchetes internacionais, talvez crendo que isso tornaria o jornais mais importante. É até possível que fosse pois era a regra. Eu, contudo, parti para a exceção.
E, na verdade, lancei um jornal diferenciado: cheio de cores, abusando do vermelho e às vezes passando para o azul e inclusive até misturando. Em nossa imprensa os jornais tinham noticiário e artigos, não tinham colunas. Usei e abusei das colunas. Escolhi alguns jornalistas da redação de “O Estado” e na primeira reunião expliquei:
– Meus amigos, o prédio é o mesmo, o equipamento é todo o mesmo, o papel é o mesmo, é tudo igual, mas nós vamos fazer um jornal diferente. Eu quero na segunda página uma coluna chamada “Tribuninhas”.
– Que é isso?
Fiz as primeiras e depois passeio adiante. E vamos inovar:
– Quero uma coluna de humor que será a grande novidade da nossa imprensa.
– E como será?
Fiz a primeira, segunda, a terceira até que um dia o Hugo Sant’Ana chegou a mim com uma “Triboladas” feita.
– Ótimo, Hugo, a coluna é tua.
E deslanchou, até que certa vez fui convidado para fazer parte de um corpo de jurados para escolher a garota mais Bem Bolada de Curitiba. Absoluto sucesso, que passou a ser repetido anualmente.
Eventualmente, à noite enquanto o sono demora a chegar fico recordando meu passado e, confesso, não raras vezes com alguma ponta de vaidade ou orgulho. Certamente infundados já que considero que esses dois adjetivos deveriam estar adormecidos no seu berço, o dicionário.
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