Não tenho conhecimento de que todos saibam, mas eu sei porque nós usamos a expressão “pra lá de Marrakesh”. Curiosamente eu estive lá. De avião São Paulo-Roma quase dez horas, Roma-Casablanca (recordam do inesquecível filme com Humphrey Borgart e Lauren Bacall? Aquilo era cinema-arte de emocionar e às vezes arrancar lágrimas. Cenas desse filme estão na antologia da arte cinematográfica. Bons tempos em que a gente entrava na fila do Cine Ópera com balas ou amendoim na mão ou no bolso e se empolgava com o que aparecia na tela: Gilda – nunca houve u’a mulher como Gilda. Gilda era Rita Hayworth, aquilo que nós homens chamamos de mulherão e alguns de mulher para mais de quinhentos talhares).
Sinto saudade do simpático e alegre Marrocos, onde frequentei o melhor restaurante e pedi: “Quero o prato típico da casa”. E me serviram cuscuz. (Vivendo e aprendendo!) Recordo que deixei o restaurante alta noite e senti medo ao andar em rua deserta em busca de táxi. Mas, como se vê, sobrevivi e estou aqui tomando tempo de amigos e, mais importante, leitores desconhecidos que se ocupam em “perder tempo” lendo linhas pobres de um jornalista quando poderiam ler, se deliciar e aprender lendo versos geniais de poetas. Quais? Digamos com perdão pelos quais minha memória, da qual não canso em reclamar, vai esquecer: Alexandre Herculano, Álvares de Azevedo, Garcilaso de La Veja, Fagundes Varela, Dante, Cláudio Manoel da Costa, Antero de Quental, Basílio da Gama. (Perdoem-me, não consigo falar esse nome sem falar do restaurante Almanara, de São Paulo, templo da comida árabe precisamente na rua Basílio da Gama, ali junto da Praça da República).
P.S.- Pra lá de Marrakesh começa enorme deserto.
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