Ao final da Idade Média a Europa Ocidental e Oriental se vê envolvida em relativa paz e inicia a reconstrução das ruínas provocadas pelas guerras. Em 1453, ano em que os turcos tomaram Constantinopla teve início uma renovação espiritual e religiosa, ponto inicial do que hoje denominamos Humanismo e Renascença. Findou a chamada Guerra dos Cem Anos e foi destruído o último estado muçulmano na Europa Ocidental fora eliminado com a Espanha reconquistando seu território. Na busca de verdades intelectuais e religiosas nasce um espírito de empreendimento que, no ano de 1492, culmina com a viagem de Cristóvão Colombo e a incorporação das Américas ao globo europeu. Espanhóis e portugueses se lançam aos mares e destroem grandes impérios americanos impondo contatos comerciais e espirituais aos impérios asiáticos.
Na metade do século XV, em Mogúncia, também conhecida como Mainz, que tive o privilégio de visitar, levado por enorme curiosidade, Johannes (João como eu) começou a produzir tipos móveis metálicos para substituir o artesanal e limitado processo de produção de manuscritos caligrafados pelos chamados copistas, o que permitiu e facilitou enormemente a divulgação dos textos religiosos, jurídicos, científicos e históricos não apenas entre os magistrados, clérigos, médicos e professores, mas alcançando igualmente classes populares.

Todas as grandes abadias medievais possuíam oficinas de copistas, que consideravam suas tarefas como sendo um serviço prestado a Deus e, portanto, privilegiado e destinado à devoção. Essas oficinas contavam com rubricadores eminiaturistas (ocupavam-se dos títulos e iniciais em tinta vermelha) e com iluministas e ornamentadores que cuidavam da ilustração dos livros. Foi graças a esses copistas que muitos clássicos da literatura universal conservaram-se até nossos tempo. Aos poucos a cópia deixou os conventos e passou a ser desenvolvida pelos franceses, tidos como melhores calígrafos e iluministas medievais.

Surgiu então um valioso aperfeiçoamento para o nascimento do livro: o papel. Inicialmente desenvolvido pelos chineses, lá pelo primeiro século da nossa era e atribuído a Tsai Loun.

Passou, com todas as vantagens a substituir o caríssimo e frágil papiro dos egípcios e o processo seguinte do pergaminho (uma pele de ovino ou caprino curtida e preparada. Com o bloqueio muçulmano entre Oriente e Ocidente tornou-se difícil a importação do papiro que cessou por inteiro ao início do século VIII). O papel demorou meio milênio para chegar a Europa, já que, além do bloqueio que existia entre os dois mundos o seu preço era elevado e a qualidade inferior. Os árabes o introduziram inicialmente na Espanha. Muito se discute ainda sobre a legitimidade da invenção da imprensa mas é plenamente aceitável que cabe a Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg (nascido em 1398 e falecido em 1468) que em 1450 conseguiu empréstimo bancário para sua experiência. A époc já se imprimiam tecidos, cartas de jogar e estamps religiosas (o bem e o mal nascem ao mesmo tempo). Processo rudimentar, a impressão de livros através de pranchas únicas com o texto de cada página gravado em madeira. Gutenberg produziu os primeiros tipos metálicos móveis (antigamente era feitos de argila cozida) em técnica semelhante a que se cunhavam as moedas e medalhas.

Pois bem, desde o surgimento do livro, os soberanos, governantes e príncipes passam a exercer vigilânci sobre sua atuação exercendo o que hoje o mundo livre chama de censura. O Duque de Montefeltro, que odiava Gutenberg, construiu sua própria oficina em Florença. E já no século XVI a indústria do livro alcança centros universitários e comerciais, as publicações religiosas, maior número à época (século XV) substituem as traduções de antigos autores e as obras literárias alcançam maior público.

E a novidade iniciou a caminhada: da Alemanha para a Itália (1465), Suiça e França (1470), Holanda (71), Bélgica e Hungria (73), Espanha e Polônia (74), Bohêmia (75), Inglaterra (77), Áustria (82), Dinamarca (83) e Portugal (1487).

Brasil: um cidadão de Colonia de Sacramento (Uruguai), Hipólito José das Costa Pereira Furtado de Mendonça (1774-1823), empenhado na elevação do Brasil, fundou o Correio Braziliense. Na Inglaterra onde curtia um injusto exílio.