Jornalistas, bem como escritores, inclusive os mais renomados, também se enganam. Pensei em citar alguns mas cometeria injustiças.
Estou pisando nessa areia pois li nos jornais que “Fidel Castro reaparece e faz apelo a presidente americano”. E há alguma relação entre tudo isso. Sim, porquanto aconteceu durante esse episódio meu primeiro, não sei se único, equívoco.
Quando Fidel gritou seu brado revolucionário em Sierra Maestra eu já era jornalista e, se sem me recordo, publiquei artigo com o título “Todos a Sierra Maestra”. Não sabia quem Fidel era, nunca havia ouvido falar em seu nome, mas coloquei-me ao seu lado já que o objetivo de sua luta era derrubar Fulgêncio Batista, um ditador. E sou, desde que me tornei um ser pensante independente, um franco defensor da liberdade. A partir do momento em que minha consciência se tornou adulta e começou a comandar minhas intenções e as palavras, transformei-me em franco antagonista de regime tiranos, absolutos, ditatoriais, despóticos e outros adjetivos igualmente repudiáveis. Felizmente a evolução humana que deve ter tido um princípio, tão difícil quanto doloroso, eventualmente quando encosto a cabeça no travesseiro e o sono demora em chegar, fico imaginando como não teria sido complicado viver naquele tempo que recebeu o apelido de Idade da Pedra. Felizmente seguida por idades melhores até chegarmos ao que costumamos chamar de Idade Moderna e, superando pois, a Idade Média, que pelo que tenho sabido pela literatura, deve ter sido um período sombrio.
Ocorre que um determinado micróbio que me acompanha há algum tempo vez por outra me belisca instigando a escrever mais. Outro livro? Para arriscar-se a um novo engano como o apoio a Fidel. Não me sinto, entretanto culpado. Ele não enganou somente a mim, mas a todos e, perversamente os seus conterrâneos. Que o aplaudiram na esperança de deixar de sofrer sob governo tirânico. Acredito mesmo que Fidel enganou senão todo, pelo menos meio mundo, todos quantos torceram para que ele derrubasse um ditador, sem jamais imaginar que acabaria se tornando tão ditador quanto o que derrubou, mas até pior do que o senhor Fulgêncio.
P.S.- Sim, por certo que jornalista também, eventualmente, se engana. Afinal de contas, somos todos chamados filhos de Deus. Eu, entretanto, ainda aqui sou uma exceção, desde a juventude creio que venho andando com o passo errado. Quiçá, por jamais ter servido ao Exército. Essa história fica para qualquer dia…
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