A carreira de jornalista nos prega cada uma… Não recordo há quantos anos, mas faz tempo, pois foi durante o período em que nosso Estado era governado pelo Sr. Moyses Lupion e eu dirigia o jornal Tribuna do Paraná, cuja criação é dos poucos orgulhos que guardo como jornalista.
Com efeito aquela época, em determinado momento ocorreu uma crise em Curitiba, com o transporte coletivo. As empresas queriam um aumento de percentual que olvidei mas que a população achava elevado. As empresas insistindo que só poderia continuar transportando o público com a tarifa desejada, deflagraram greve. A cidade “parou” por um ou dois dias e o governador Lupion (PSD) resolveu intervir e autorizar o aumento maior.
Na impetuosidade da minha juventude eu não vacilei e a Tribuna apareceu com u’a manchete em letras grandes na cor vermelha: LUPION FICOU LOUCO! A direção da empresa também se assustou e conversamos tendo sido apenas indagada: “ Você não teme ser processado?” E eu faceiramente respondi: “É tudo o que eu quero, um inexpressivo jornalista enfrenta o governador do Estado na Justiça”. E já imaginaram se eu, por acaso, ganho. Não que fosse capaz de provar sua insanidade, mas esperava que um juiz de ideias novas justificasse sentenciando, depois da análise geral: Isto posto, considerando que o objetivo do jornal não foi simplesmente de ofensa, ainda que usando adjetivo pesado em defesa do interesse público que se sentiu indignado com sua intervenção em favor de abonados empresários, deixando de lado a maioria do povo menos favorecido.
De fato eu era jovem, mas há havia concluído o curso de Direito e como fui bom estudante, imaginava que a defesa não seria difícil. Mas nada foi necessário, pois Sua Excelência certamente não gosto mas julgou, inteligentemente, a conveniência de não iniciar um debate jurídico.
Pois bem, agora parece que Lula decidiu estufar o peito para declarar no Exterior, parece-me em Riad, na Arábia Saudita, que a decisão do Congresso de investigar a Petrobras “é coisa de quem não tem o que fazer” . Que ignorância, presidente. O Congresso está apenas cumprindo uma de suas finalidades e, talvez, tardiamente. Ou sua Excelência acredita que a Petrobras é intocável. Lógico que não. Por que? Porque quem quer que manuseie o dinheiro que não lhe pertence deve prestar contas à origem e quando esse dinheiro sai do bolso do povo, onde o governo vai arrecadar quando quer o quanto quer, essa prestação tem prazo para ser oferecida e deve se fazer com a mais clara exposição, tintim por tintam. É compreensível que haja relutância nos dois casos: nos casos dos honestos porque sendo sérios eles se sentem constrangidos ao serem submetidos a um controle, e no caso dos menos honestos ou mal intencionados todos sabemos porque. É o momento de se indagar ao senhor Lula se ele acha que a Petrobras é intocável. Por ser a nossa maior empresa? Por obter grandes lucros? Por deter o controle de algo que é fundamental para a vida moderna e produto que mais facilmente enriquece uma nação ou porque alguns imaginam que é confortável manter uma empresa nadando em dinheiro num país em que famílias, lastimavelmente, ainda têm dificuldade para conseguir uma alimentação básica ou mínima? Lula que já viveu de minguados salários não combina com suas ideias como presidente. É claro que Lula não ficou louco. Mas não há dúvida de que deveria pensar melhor, contar até dez, 20, 30 ou aquele número que o faça refletir melhor.
P.S.- “Os homens são indispensavelmente loucos, de sorte que, se não fossem, isso seria uma outra espécie de loucura”. (Blaise Pascal in “Pensées – Livro VI, pag. 414)
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