A vida é extremamente curiosa e continua a nos oferecer exemplos surpreendentes. E a cada dia temos novidades, motivo pelo qual não se pode ficar sem a leitura de jornais e livros que considero mais importante que o rádio e a televisão, cujas informações são passageiras.
Agora, entretanto, acabo de ficar sabendo que é também por demais importante conhecer alguém que nos acusa. O fato ocorreu recentemente: uma muçulmana de 32 anos residente no Canadá denunciou um senhor acusando-o de violência sexual. E levou o caso à Justiça. Contratou advogado, contou os detalhes, deu o nome do fulano e foi marcada a audiência. Mas o julgamento emperrou, por uma circunstância insólita: o tribunal não permite que ela deponha com véu. E estabeleceu-se uma incrível e estranha polêmica. O juiz afirmando que não é possível depor com o véu e o advogado de defesa argumentando bravamente que o réu tem o direito de conhecer, ver o rosto de quem o está acusando. O julgamento repercutiu e jurista passaram a declarar que a expressão facial seria por demais importante para a Justiça formar sua opinião exata sobre a veracidade do acontecido. Já por outro lado o advogado e os parentes da mulher argumentaram ferrenhamente que ela tem o sagrado direito de manter um símbolo de sua fé e, mais, que não há intimidação maior para uma pessoa muçulmana do que encarar em público o homem que a violou.

Bacharel em Direito pela gloriosa Universidade Federal do Paraná que foi minha segunda casa por várias décadas, cinco anos como aluno e mais de trinta como professor quando subia as escadarias da Praça Santos Andrade para encontro com meus alunos a quem eu lecionava “Ética e Legislação de Imprensa” e, conseguintemente, não cheguei a abordar assunto dessa natureza.

Trata-se, inquestionavelmente, de uma questão incomum, daquelas que contudo sempre aparecem perante a Justiça e cabe ao juiz com o seu conhecimento, seu estudo e notadamente com a sua experiência tomar a decisão mais correta. O leitor decidiria como?…

P.S.- Agradecimento profundo ao nobre deputado Ney Leprevost, um dos mais combativos defensores dos interesses do povo em nossa Casa Legislativa, que propôs e conseguiu aprovar um voto de louvor e congratulações à minha pessoa no Centro Legislativo Anibal Khury. Na verdade sinto enorme saudade do Anibal que faz falta não a mim mas à política e à sociedade paranaense, por sua inteligência e habilidade política. Todo governador que assumia o Palácio Iguaçu sabia disso e no primeiro dia logo chamava o Anibal para conversar e esperar contar com seu apoio. Pessoalmente eu jamais esqueço que cada vez que nos encontrávamos (e foram múltiplas) ele brincava comigo: “João Féder, você esta ficando muito importante, preciso arrumar uma amante argentina para você”. Segundo ele, uma amante argentina acaba com a vida de qualquer um…