Estamos a caminho de novas eleições que exigem uma posição política do cidadão. E é costume afirmar-se que a política, em si, não é apenas necessária. É também boa. O problema são os políticos.
Vejamos alguns episódios que anotei ao longo do tempo.
Em 1991 o deputado federal José Roberto Magalhães Teixeira entrou com ação popular contra o prefeito de Campinas que fazia uma campanha de publicidade com imagens de obras paralisadas. Dizia o advogado que o contribuinte estava pagando para ser iludido.
Em 1992 o deputado José Fortunati entrou com uma representação na Procuradoria Geral da República para anular a compra de 226 alto-falantes no Banco Central. Os alto-falantes seriam instalados nos banheiros.
Em 1989 descobriu-se, em Salvador na Bahia, que a Secretaria da Educação vinha pagando todo mês um professor e ele não sacava o dinheiro do banco. Feita uma verificação constatou-se que o professor Antonio Rocha Pinto havia falecido há 17 anos.
Também em 1989, depois de dez anos de administração do PMDB, Anselmo Rodriguez, do PDT, conseguiu ganhar a eleição em Pelotas, o segundo maior colégio eleitoral gaúcho. O novo prefeito levou um susto com o que encontrou: uma dívida de 15 bilhões, 8,5 mil funcionários com pagamentos em atraso, uma assessoria de imprensa com 54 jornalistas e uma única ambulância, uma só, mas com 35 motoristas.
E as viagens? Como político adora uma viagem! Em 93, o governador do Rio Grande do Sul fez uma viagem a Europa com finalidades “político-administrativas”. E levou com ele mais de quarenta pessoas.
Em maio de 1998, o vice-presidente Marco Maciel e sua esposa Ana estavam em Roma. Pequeno detalhe: na mesma época havia na mesma cidade mais de sessenta parlamentares brasileiros.
Em julho de 86, o “Jornal do Brasil” denunciou, em manchete, que o país tinha trinta mil carros oficiais com chapas frias. Aliás, de repente, as placas oficiais desapareceram de circulação. O que quer dizer que o veículo e o combustível que nós pagamos não servem mais ao Estado, mas ao dono do cargo e, sem dúvida, seus familiares.
Na verdade, em 96, o sr. José Sarney pediu uma investigação sobre os carros dos senadores e o senador Gilvan Borges, do Amapá, lamentou dispor de apenas um carro. “Eu gostaria de ter um avião”, declarou. Foi esse mesmo senador que nomeou a esposa e a própria mãe para seu gabinete no Senado. E ao ser interpelado, respondeu: “Afinal, uma me pôs no mundo e a outra dorme comigo”.
Está visto: não é fácil provar o interesse público nos quadrantes da legalidade e da moralidade.
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