Alguém se recorda ou já ouviu falar, leu algo de Manoel Maria Barbosa? Não? Poeta português nascido em Setúbal em 1765 e falecido em Lisboa em 1805. Filho de família pobre, alistou-se na Marinha de Guerra em busca de vida melhor. Foi designado para lutar em Goa e três anos mais tarde promovido a tenente e foi transferido para Damão, Goa e Macau, voltando a Lisboa, onde encontrou seu primeiro amor, Gertrudes, que ingloriamente já era esposa de seu irmão. A vida tem esses infortúnios, não acontece somente nas telas do cinema. Triste passou a fazer versos em que relatava e lamentava sua condição de poeta pobre e infeliz no amor. Desesperado adotou o nome de Elmano Sadino mas solitário começa a se afastar dos amigos e passou a ouvir conselhos dos padres o que não foi suficiente para afastá-lo da vida dissoluta, inobstante protegido pelo morgado de Assentis Filinto Elísio e da Marquesa de Alorna, não deixava de escrever tudo o que pensava e que a muitos desagradava. Consequência, a inquisição. Oh tempos cruéis! É possível imaginar o ser humano ser castigado por escrever o que pensa? Pois acontecia e muito e, incrível, ainda hoje certas nações notadamente comandada por ditadores. Após algum tempo de internamento no claustro de São Bento da Congregação de Felipe Neri recuperou a liberdade, contudo passou a viver praticamente na miséria escrevendo e fazendo traduções. Contrariado em suas paixões Marília e Márcia terminou vivendo na miséria para falecer com somente 40 anos, o bastante para que se tornasse um dos maiores poetas portugueses do século XVIII. Já deu para saber de quem estou falando? Não?… E se eu lembrar que ele escreveu seu nome para a história? Que nome? Ora o grande e inesquecível Bocage. Consumado escritor de temas românticos relatando um esforço permanente de vencer, procurando conciliar posições antagônicas como o céu e o inferno, a liberdade e a opressão, cantando o amor carnal e invectivando o ciúme que o torturava e exaltava a amada exaltando uma beleza superior a que ela tinha. Dizem seus biógrafos que o substrato da poesia de Bocage confere-lhe grandeza e seus conceitos revelam um ser atormentado pelo desejo de alcançar a perfeição espiritual. Que, convenhamos, continuamos insistentemente a buscar…