Um dos melhores momentos da vida é aquele que passamos viajando. A decisão de viajar creio que a mais demorada, em seguida, já iniciando a sentir as emoçòes da viagem, as vezes mais agradáveis quando antecipadas porquanto lamentavelmente ninguém estálivre deste ou aquele acidente ou pertubração. Sim ocorrem quando menos esperamos. Recentemente amigo meu foi furtado. Onde. Num confortável metrô. De que cidade. Paris, precisamente na chamada Cidade Luz, ponto turístico mais procurado por quantos gostam de passar férias longe de casa, onde geralmente deixam, temporariamente seus problemas, maiores ou menores. Maiores grande dívidas que tiram o sono de qualquer um, menores uma pequena briga em família. Quem num dia ou numa noite não chega a um desentendimento com a esposa(o)? Claro que não deveria acontecer. Discutir, brigar ou até bater na mulher que a gente ama. Por favor! um pouco de calma e mais juízo. Uma ou outra palavra desagradável é rapidamente levada pelo vento, não merece um instante de raiva dele ou dela.

Mas, a intenção era falar em viagem. Trata-se de assunto inesgotável. Uma pequena viagem a uma cidade sem maior fama (aconteceu comigo quando visitei Timbó (Santa Catarina) e você já tem alguma história, nem sempre de interesse público, mas que, quando o escritor está com alguma dificuldade em decidir sobre o que escrever, aliás a parte mais complicada para qualquer um: o tema pode ser bom e fácil de executar, mas será bem recebido pelos leitores? Não acontece comigo. Não escrevo visando lucro, não faço de minhas “mal traçadas linhas” uma profissão, escrevo, acredito que por vocação e certamente porque é o que mais alegra meu coração. E, vaidoso, esforço-me para alegrar de quem me presta homenagem dedicando tempo a meus escritos. Decidido a escrever, vem o segundo passo. A respeito de que? Neste particular entra um pouco de sorte, a sorte de escolher um tema da sua preferência e que seja, por igual, da preferência dos demais leitores. Complexo, quase um milagre, mas acontece. Olhando para a história vamos encontrar mais que um, que mil, que milhão de pessoas que se aventuraram e, um pouco raro, se tornaram milionários.

E, afinal, vamos viajar do que?

Pelo ar, inquestionvalmente, o melhor sistem. Tranquilo, confortável, rápido e com mordominas que, chegou a hora de reclamar, estão sendo diminuídas, ficando cada vez menores e mais pobres. Os tempos mudam, reconheço, mas devem, ao menos na maioria, mudar para melhorar nossa vida, jamais no sentido contrário. Estou de olho no passado quando viajar de avião era novidade. A gente ia de traje completo como se preparando para ir a Igreja ou uma elegante festa. Numa recente viagem sentir ao lado de um passageiro de bermuda e sandália hawaiana. Nenhuma discriminação, viva a democracia, mas alguma coisa dentro de mim demonstra mínimo desconforto, na verdade sonho permanentemente com mundo mais igual, sem distinção de raças, é difícil mas estamos tentando, ou de classes. Essa pesquisa que divide as pessoas em classe A, B ou C incomoda-me. Essas letras estão no alfabeto com destino mais nobre do que criar uma linha divisória entre seres humanos, iguais, do útero ao cemitério, lastimavelmente nem todos vivendo em idêntico nível de felicidade.

Ora bolas. Viajar do que? Avião é melhor contudo, naturalmente, mais caro e não ao alcance de todos – ainda. Mas há viagens igualmente agradáveis. Para mim uma das mais encantadoras é a viagem pelo mar. Sem esquecer o encanto que acompanha também a viagem de trem. Como é gostoso o trem. Creio que o transporte em que mais se pode confiar no cumprimento do horário estabelecido. E com maior seguraná e de cujas janelas, ainda quando em velocidade, nos deparamos com belas paisagens. Não é incomum uma viagem em que as paisagens nos agradam mais do que encontramos no final. Certo, já viajei para algumas cidades com fantasia na cabeça e tive mais de uma decepção ou com o idioma, com problema no câmbio, esperando mais de uma visita a este ou aquele lugar, este ou aquele concerto, este ou aquele show e “otras cositas mas”. De automóvel também é bom, viagem independente, a gente para onde quer e quando quer e não nos lugares em que os motoristas ganham comissão (existe), não precisa alugar nada para melhor conhecer a cidade ou as próximas ou como costumamos dizeer, sei lá por que, saimos de casa mas continuamos donos de nosso nariz.

Então vamos viajar? De malas prontas, creio que um dos incômodos de toda viagem é a mala. A mala não. É difícil alguém que inicie a viagem com mala única. Mesmo os executivos que viajam a trabalho, você já deve ter notado mesmo não sendo jornalista profissão chata que fica olhando pra tudo e pra todos, observando detalhes, lugares e pessoas e fazendo anotações o que, sem dúvida, torna a viagem pouco preocupante e menos feliz.

P.S.- Preocupante ou não, mais ou menos feliz, de longa duração ou não, provinciana ou internacional, aqui ou ali, viajar nos premia com momentos inolvidáveis.