Sei lá se é reivindicação ou apenas sugestão, nem de quem partiu a ideia, mas como ela ameaça avançar vamos examiná-la. Enigma político em questão. E já aí começa o perigo, questão política a ser decidida por eles mesmos. Tenho para mim que o primeiro artigo da Constituição deveria ser expresso: é vedado legislar em causa própria. Parlamento com a justificativa que o presidente, governador ou prefeito está ganhando pouco, dá-lhe 20% e 50% aos próprios subsídios. O vocábulo é específico. Pobres mortais recebem ordenado ou vencimento, parlamentar subsídio, diferenciado por permitir ser agregado por penduricalhos que o eleitor desconhece, benefícios, passagens nacionais e internacionais (lógico já que a viúva é quem paga, vamos de primeira classe), mordomia, automóveis para atender seus “importantes” compromissos em benefício do povo brasileiro e se deslocar em Paris, Roma, Los Angeles, Nova Iorque e… Monte Carlo ou Veneza. Qual será o interesse nacional de uma visita a pontos paradisíacos como o Principado de Mônaco, ainda agora que a bela princesa Grace Kelly já subiu ao céu, sim ela só pela beleza já seria merecedora. Ou Veneza, linda, talvez incomparável, mas sem nenhuma lição política a nos ensinar. Lógico é para mim o mais agradável lugar a ser visitado mas não com dinheiro da plebe.
O problema não é nenhuma raiz quadrada: mandato não é emprego. Estou sendo radical? Mas quantos ou que industrial, comerciante, médico, advogado, engenheiro ou qualquer profissional abandona por inteiro seu trabalho para se dedicar ao parlamento?
A lei não impede acumular. Não examinei, mas a moral impede e é o suficiente. Sei e reconheço que é mais fácil imaginar como jornalista-metido-a-escritor, meu caso, pois, como ser humano, talvez cometesse igual pecado se eleito. Bem por isso resisti a vários convites para a vida política. Eventualmente, vaidosamente, sonho em tentar para aperfeiçoar o parlamento. Logo concluo, mais fácil é lá chegar e não resistir à tentação. Creio, aliás, já dever ter ocorrido com alguém, por certo não seria eu o primeiro a ingressar na vida política por idealismo.
P.S. – Os nossos ideais correspondem não às nossas ações e sim à medida dos nossos pensamentos. (A. J. Balfour in “The Foundations of Belief”)
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