Não há exagero em considerar que já temos dívida impagável pelos benefícios qaue já nos proporcionou a tecnologia. E será difícil imaginar o que ela nos reserva para o futuro. Aliás, devemos muito aos inconformados, estou me referindo àqueles que não se conformaram com o que existia e inventaram algo melhor. É o caso do elevador. Já havia a escada, depois veio para facilitar a escada rolante e nós já nos sentíamos satisfeitos. Mas certo cidadão, inconformado, pesquisou e pesquisou e inventou o elevador. Essas são as cabeças privilegiadas que enxergam além do horizonte e que acreditam que a capacidade humana tem sabedoria para melhorar sempre. Até que ponto?
Vejamos a questão do telefone. Devemos ao norte-americano Alexandre Grahan Bell esse aparelho sem o quel hoje não saberíamos viver. Ele fez a primeira ligação telefônica em Boston no ano de 1876. O telefone foi um aperfeiçoamento do microfone. Em nosso Brasil o telefone chegou em 21 de abril de 1883. E era privativo da União, o que só se alterou com a Constituição de 1946. Atualmente os requisitos e os procedimentos da telefonia são regulamentados pelo Código Brasileiro de Comunicações.
Na minha juventude fui acadêmico de Direito e trabalhei na Rádio Guairacá, a Voz Nativa da Terra dos Pinheirais, como locutor, programador (hoje, será inda, disck-jockey?) e locutor esportivo, função na qual transmiti futebol de várias capitais e, a cada transmissão, era uma disputa para conseguir uma linha, não havia ainda a microonda. Recordo que num campeonato brasileira, que era disputado não entre campeões mas entre seleções dos Estados, havia Paraná versus Bahia, em Salvador, Estados ligados por apenas duas únicas linhas. A Guairacá conseguiu uma linha e outra ficou para uso público. E fui incumbido de fazer a transmissão. Meu saudoso chefe, Aluizio Finzeto, chamou-me em sua sala e recomendou: “Meu guri, muito cuidado. Você vai ser a única voz para todo o Paraná e para o Brasil”, pois a partida era de interesse nacional. “Trate de caprichar”. Isso nos meus 18 anos era como se eu fosse fazer um discurso urbi et orbi. Viajei com um técnico de som, Orlando Alberti, Curitiba-São Paulo-Rio de Janeiro-Vitória-Ilhéus-Salvador, dia inteiro subindo e descendo. Na escala do Rio a nossa seleção foi fazer um treino contra o Fluminense, nas Laranjeiras e eu fui acompanhar. Ao voltar ao hotel encontrei meu companheiro de braço na tipoia. Havia caído de um bonde. “E agora?” “Agora s’imbora, meu caro”. “Mas, com o braço assim?” “É a única maneira, Alberti”. E lá fomos, carregando ainda um aparelho que usaríamos para conectar com a linha telefônica na esperança de não falhar. E incrível. Não conseguimos obeter retorno de Curitiba, de modo que irradiei sem saber se estava sendo ouvido. O que é doloroso. Só ao chegar em Curitiba é que me senti feliz com o resultado. Os que transmitem futebol e outras competições pelo país ou do Exterior não imaginam o quanto era difícil fazer isso no passado. Viva a tecnologia.
Tecnologia que não apenas nesse setor mas em quase todos os interesses do nosso cotidiano tem nos favorecido intensamente e assim deve prosseguir para nos levar a um estágio que hoje mal podemos supor.
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